O leilão beneficente do Instituto Neymar Jr. teve bastidores marcados por atraso, aglomeração e desconforto antes mesmo de os famosos pisarem no tapete vermelho. A recepção estava prevista para começar às 19h, mas os primeiros convidados só entraram por volta das 19h49, depois de aguardarem em pé no estacionamento do Shopping SP Market, em São Paulo.
Eu ainda estava no carro voltando de Cala Comte, com a canga listrada dobrada no colo e a areia da praia insistindo em morar dentro da minha sandália, quando comecei a receber os vídeos do lado de fora do evento. E, minhas queridas, não existe look de gala que resista a quase uma hora em pé no estacionamento. O smoking vira penitência, o vestido longo vira teste de fé e o tapete vermelho começa a parecer prêmio de resistência.

Segundo relatos do UOL, a estrutura externa não tinha banheiros masculinos ou femininos disponíveis para quem esperava do lado de fora. Resultado: convidados vestidos para a cerimônia e jornalistas precisaram entrar no shopping para usar os sanitários. Glamour, quando precisa atravessar corredor de centro comercial para fazer xixi, perde metade do brilho na hora.
Às 19h50, uma multidão de smokings e vestidos longos ainda se aglomerava no estacionamento do Suhai Music Hall. Além da fila, o começo do evento enfrentou problemas técnicos, com luzes piscando nos primeiros minutos, e o tumulto atrapalhou até a dinâmica do tapete vermelho, com convidados cruzando na frente dos fotógrafos.
Eu li isso e só consegui imaginar a cena: celebridade tentando fazer carão, fotógrafo gritando nome, luz piscando igual salão de festa em pane e alguém de vestido longo perguntando onde fica o banheiro mais próximo. A vida social brasileira é isso: muito brilho na foto e um bastidor que parece grupo de condomínio em dia de mudança.
Depois da confusão inicial, os famosos começaram a desfilar. Passaram pelo evento nomes como Hortência, Maurício Lima, Denílson, Roberto Carlos, Kaká, Rodrigo Bocardi, Claudia Leitte, Ana Castela, Carlinhos Maia, Murilo Huff e David Brazil. Neymar apareceu acompanhado de Bruna Biancardi e das filhas, enquanto Davi Lucca, filho mais velho do jogador, também circulou pelo tapete vermelho.
Mas a lista de ausências chamou atenção. O Santos não enviou jogadores nem dirigentes ao leilão. O elenco viajou para Belém, onde enfrenta o Remo pela volta das oitavas de final da Copa do Brasil, e nem o presidente Marcelo Teixeira, nem seu filho, nem integrantes do Comitê de Gestão apareceram no evento.

A ausência pesou ainda mais porque Neymar Pai aproveitou o tapete vermelho para mandar recado à cúpula santista. Ele afirmou que a dívida do clube com o atacante, estimada em cerca de R$ 90 milhões por direitos de imagem não pagos, pode atrapalhar uma eventual renovação no fim da temporada. Ou seja: enquanto uns esperavam o portão abrir, outros já estavam abrindo a fatura.
Eu estava chegando perto do hotel quando essa parte caiu no meu colo. O leilão era beneficente, a causa é bonita e o Instituto Neymar Jr. faz um trabalho social importante, mas bastidor é bastidor. Quando tem famoso de salto esperando no estacionamento, luz piscando, ausência política do Santos e pai de Neymar falando em R$ 90 milhões, a noite deixa de ser só caridade e vira capítulo de novela esportiva com dress code.