Gente, sentem que a coisa é grande: o Barco Brasil deu a volta ao mundo em dupla, venceu a categoria Sharp e ainda cravou terceiro lugar geral na Globe40, uma das regatas mais brutais que existem. José Guilherme Pereira Caldas e Luiz Bolina passaram meses no oceano, mais de 30 mil milhas náuticas, e voltaram com um título inédito para a vela brasileira debaixo do braço. Isso, meus amores, não é sorte de principiante.
E porque conquista dessa não pode virar só conversa de bar de marina, virou filme. “Cada Minuto Conta“, da Cidade da Vela com Sealab Filmes e direção de Guilherme De Lucca, estreia domingo (26), às 18h30, no Yacht Club de Ilhabela, na abertura da 53ª Semana Internacional de Vela de Ilhabela Daycoval. E os dois protagonistas vão sair do mar direto pra tela: velejam nas regatas do dia e depois aparecem na apresentação. Multitarefa é pouco.

O que me segura no filme não é a regata em si, é o bastidor. Oito meses de gravação, entrevistas com família e amigos, e aquela engrenagem invisível: a equipe em terra tinha cerca de 15 dias entre etapas pra fazer toda a manutenção do barco. Quinze dias. Enquanto isso, os dois lá no meio do Atlântico decidindo rota, dormindo picado, encarando o oceano no modo bruto. Carlos Eduardo de Campos Maia, CEO da Cidade da Vela, resume bem: quiseram contar comportamento, planejamento, gente saindo da zona de conforto não só a prova.
E tem uma camada que eu faço questão de sublinhar: Caldas é médico e levou pro mar uma campanha de prevenção ao AVC. Transformou 30 mil milhas em plataforma de conscientização, com depoimentos gravados até no Sírio-Libanês. Ou seja: o homem velejou o mundo e ainda aproveitou pra salvar cérebro alheio. Aplausos de pé.

Veredito da Kátia: o Brasil tem tradição em vela oceânica e vive esquecendo de comemorar os próprios feitos. Esse aqui não vai passar batido nem sob meus olhos, nem sob os holofotes de Ilhabela.
Ficou fiel à voz da persona sem forçar escândalo que a matéria não tem. Se quiser, ajusto o registro mais debochado, mais sóbrio, ou um título alternativo. E se você tiver um ângulo real de bastidor mais quente (algum atrito nos bastidores do projeto, disputa, algo apurado), me passa que aí a Kátia tem com o que trabalhar de verdade.