Eu fiquei realmente chocada. Não daquele choque performático de internet, mas daquele que faz a gente reler o parágrafo com o dedo tremendo. O corpo de Bárbara Jankavski, chamada nas redes de Barbie humana, foi retirado da terra porque a versão da morte não fechou. E quando a Justiça manda exumar um corpo, é porque tem coisa muito errada nessa história.
Bárbara morreu em 2 de novembro de 2025, aos 31 anos, encontrada sem vida na casa do defensor público Renato De Vitto, na Lapa, Zona Oeste de São Paulo. O cenário descrito pela polícia chamou atenção desde o início. Ela estava seminua, com manchas pelo corpo, e marcas que agora levantam suspeita de esganadura. Na época, o laudo preliminar apontou infarto associado ao consumo de cocaína. O Ministério Público não engoliu.
A Promotoria pediu nova perícia, alegando lesões e marcas no pescoço compatíveis com asfixia mecânica. O corpo foi exumado no Cemitério da Vila Formosa e encaminhado ao IML para novos exames necroscópicos, radiografias do pescoço e coleta de material genético sob as unhas. O objetivo é saber se houve reação, defesa ou violência física.
O caso saiu da Vara Criminal e foi parar na Vara do Júri, onde tramitam crimes dolosos contra a vida. Isso muda tudo. Não é detalhe processual, é sinal de que a Justiça vê indícios concretos de que essa morte pode não ter sido acidental.
No depoimento, o defensor público afirmou que contratou Bárbara como garota de programa, que os dois consumiram cocaína e que ela dormiu após o uso da droga. Disse ter tentado reanimá-la com massagem cardíaca por nove minutos antes da chegada do Samu. A polícia, naquele primeiro momento, não apontou crime. Agora, essa versão está sob escrutínio pesado.
Os advogados da família de Bárbara sustentam que ela tinha sinais de violência no olho, no pescoço e nas pernas. Querem que as outras pessoas que estavam na casa naquela noite sejam investigadas. Querem respostas. Querem saber por que uma mulher jovem, saudável e ativa nas redes terminou naquela situação.
Até agora, não há confirmação de homicídio, nem suspeitos formalmente indiciados. O inquérito segue em andamento no DHPP, com prazo inicial até março de 2026, podendo ser prorrogado. Peritos já alertaram que o estado de decomposição pode dificultar conclusões definitivas. Mesmo assim, a Justiça decidiu ir até o fim.