Aqui em Veneza, com a luz da tarde batendo no canal e um café que eu mal toquei de tanta notícia chegando, eu olhei para o acordo da Band com TV Gazeta e TV Cultura e pensei: alguém em São Paulo está jogando xadrez enquanto o resto da mídia brasileira está jogando dama.
O Grupo Bandeirantes fechou uma coalizão de três emissoras para co-realizar os debates presidenciais das Eleições 2026. Band, TV Cultura e TV Gazeta transmitem simultaneamente o primeiro encontro entre os candidatos ao Palácio do Planalto em agosto, e a sabatina do segundo turno em outubro. Ao longo do ano, a Band ainda estreia o Band Eleições, programa semanal com candidatos e especialistas, e produz edições especiais do Canal Livre dedicadas à campanha. A largada foi dada em janeiro, numa reunião estratégica com representantes dos partidos, o que significa que essa arquitetura tem meses de construção invisível atrás.
No feed das emissoras concorrentes, silêncio total após o anúncio. Nenhum story, nenhuma nota, nenhuma movimentação de bastidor vazou sobre interesse da Globo, Record ou SBT em entrar nessa conversa. A ausência de reação pública é, ela mesma, uma resposta.
A leitura que faço é a seguinte: a Band não está apenas organizando um debate, está se posicionando como a casa do jornalismo eleitoral sério no Brasil por pelo menos mais um ciclo. Unir Band, Cultura e Gazeta numa transmissão simultânea cria um consórcio de credibilidade que nenhuma emissora sozinha conseguiria montar tão rápido, e faz isso com custo compartilhado e protagonismo preservado.
Rodolfo Schneider sabe exatamente o que vale um debate presidencial bem executado depois de 2022.
Três emissoras, um palco, agosto marcado no calendário. A eleição ainda não tem candidato confirmado, mas a Band já tem o microfone ligado e a Globo nem na lista de convidados.