Eu estava no sul da Itália, tentando ter um minuto de paz entre um limoncello e outro, quando dei de cara com essa tragédia que caiu como uma pedra no colo de quem trabalha com rua, pauta e correria. Um acidente entre um caminhão e um carro da TV Band deixou um morto e uma ferida grave na tarde desta quarta-feira, 15, na BR-381, em Sabará, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. A própria PRF confirmou que o veículo atingido pertence à emissora e que a vítima fatal é Rodrigo Lapa, motorista da Band.
A mulher que estava no carro ficou gravemente ferida e foi levada de helicóptero do Corpo de Bombeiros para o Hospital João XXIII. Segundo as informações mostradas na matéria, a colisão foi frontal, aconteceu na altura do km 444, no sentido Belo Horizonte, e a rodovia chegou a ficar totalmente interditada. As imagens do local mostram o carro da emissora com a dianteira destruída, uma cena daquelas que cala até a turma mais falante do grupo da firma.
E aqui entra o detalhe que transforma a notícia em um soco ainda mais cruel. Pouco antes do acidente, a equipe da Band havia feito uma entrevista sobre o início da obra de duplicação da BR-381, no trecho de Ravena, em Sabará, aquele mesmo pedaço que carrega o apelido macabro de Rodovia da Morte por causa do alto número de acidentes fatais. Olha, tem horas em que a realidade larga qualquer pudor e resolve humilhar a ficção em praça pública.



As obras tinham começado oficialmente nesta quarta-feira, 15, depois da chegada de máquinas na terça, 14, para serviços de retirada de vegetação e terraplanagem às margens da rodovia. Ou seja, a equipe estava ali cobrindo uma promessa de melhoria num trecho historicamente perigoso, e a cobertura terminou em luto. É o tipo de notícia que desmonta o peito de quem conhece a rotina de estrada, link ao vivo, pressa de redação e o tanto de trabalhador invisível que faz a televisão acontecer.
No fim, sobra o pior tipo de silêncio, aquele que vem depois do factual. Porque por trás do logo da emissora, da chamada ao vivo e da pauta do dia, tinha um homem trabalhando. E morreu numa estrada que o Brasil conhece pelo apelido mais sinistro possível, como se o aviso estivesse piscando há anos e ninguém tivesse coragem de encarar direito.