Eu, Kátia Flávia, já acordei passando blush e abrindo o champanhe, porque mudança de grade na TV aberta sempre vem com drama, ego, telefone tocando fora de hora e alguém dizendo “calma, é estratégico”. A Band decidiu tirar o Apito Final do conforto dominical e jogar o programa do Craque Neto, o pistoleiro da opinião esportiva, direto para as segundas, às 22h30. Segunda-feira, meu amor, aquele horário em que ninguém quer carinho, só catarse.
O motivo tem nome, sobrenome e voz de Fórmula 1. Do outro lado da rua, o SBT prepara a estreia do Galvão Bueno com o Galvão FC. Sim, Galvão voltou e voltou falando de futebol, que é basicamente como soltar um leão faminto no meio da sala. A Band olhou, respirou fundo e pensou: vamos de Neto mesmo.
O Apito Final entra nessa nova fase com o mesmo elenco, porque mexer no time agora seria pedir crise ao vivo. Neto segue como o protagonista surtado que a gente conhece, ao lado de Marília Ruiz, Leandro Quesada e Oscar Roberto Godói, formando aquela mesa que parece reunião de condomínio depois de clássico perdido. A promessa é de cenário novo, cara de novidade e o mesmo temperamento inflamável de sempre.

Na prática, o que a Band faz é reposicionar o programa num horário clássico de pós-rodada, onde a raiva ainda está quente e o torcedor ainda discute pênalti no grupo da família. Estratégia? Claro. Também tem gosto de revanche televisiva, daquela que ninguém assume em público, mas todo mundo comenta no corredor.
Eu confesso que já comprei a pipoca. Neto de um lado, Galvão do outro, segunda-feira à noite virando ringue esportivo. A TV brasileira ama esse tipo de confronto elegante só na nota oficial. No sofá de casa, a gente sabe que é duelo mesmo.