Eu vou confessar logo de cara, meus amores: quando a Band resolve brincar Carnaval, ela não brinca, ela monta um circo, chama a imprensa inteira, veste paetê institucional e grita para o Brasil inteiro olhar pra ela. E eu, claro, olho, anoto, aumento e comento, porque sou dessas.
A Band decidiu que o Carnaval 2026 não seria só transmissão. Virou uma ocupação territorial. Salvador, Recife, Rio, São Paulo, Anhembi, Sapucaí, Barra Ondina, Olinda, estúdios, camarotes, rádio, site, aplicativo, YouTube, tudo tomado por gente da emissora como se fosse final de reality show com prêmio acumulado.
Eu imagino a reunião interna. Alguém disse “vamos cobrir”. Outro respondeu “vamos dominar”. E assim nasceu esse Band Folia musculoso, exibido, espalhafatoso, com quase 300 profissionais circulando feito confete humano e apresentador surgindo de lugares inesperados, igual ex em festa boa.

Patricia Maldonado volta à folia baiana como quem retorna ao grande amor da juventude, com discurso emocionado, tema histórico, homenagem a Preta Gil e aquela aura de veterana que sabe exatamente onde pisa. Ao lado dela, Betinho e Pâmela Lucciola seguram a transmissão em Salvador como quem segura um trio elétrico ladeira acima, com sorriso, fôlego e um leve caos controlado.
No Rio, a Série Ouro ganha tratamento de estrela principal. Amin Khader surge com aquele brilho de quem sabe onde a câmera está, Rafaela Bastos analisa com propriedade e veneno elegante, Bruno Chateaubriand entrega contexto, JP Vergueiro entra no jogo e Flora Cruz aparece como participação especial que sempre rouba a cena. Tudo isso direto de camarote, porque a Band entende o valor dramático de uma boa vista.

São Paulo também entra na dança. O Grupo de Acesso 1 vira protagonista em horário nobre, com Joel Datena e Sheila Magalhães comandando a transmissão como se estivessem apresentando final de temporada de novela, com comentários técnicos, emoção medida e aquela tensão gostosa de quem sabe que duas vagas estão em jogo.
Enquanto isso, no rádio, a Bandeirantes e a BandNews FM funcionam como aquela amiga que sabe de tudo antes de todo mundo. Flashes, entrevistas, serviço, bastidor, estrada, previsão do tempo e até os ofícios mais curiosos do Carnaval entram na pauta. Tem gente que só aparece uma vez por ano, mas trabalha doze meses para aquele momento, e a Band resolveu dar palco para essa gente também.

No digital, a coisa vira maratona. O Concentração Band Folia entra ao vivo todos os dias, com Mari Belém e Gabriel Pinheiro segurando mais de cem horas de transmissão como quem segura um copo cheio no meio da multidão. O público acompanha tudo de qualquer lugar, porque hoje o folião também é multitela e não perde nada.
E ainda tem prêmio, porque Carnaval sem troféu é fofoca sem print. O Troféu Band Folia surge como aquele momento em que todo mundo finge surpresa, mas já está ensaiando discurso. Cantor, cantora, coreografia, hit, música do Carnaval, raízes, tudo avaliado por júri técnico e pelo público, que vota via QR Code como se estivesse escolhendo paredão.

No meio disso tudo, a programação nacional vai se encaixando, com horários, datas e chamadas espalhadas pela grade, lembrando que o Carnaval da Band não pede licença. Ele entra, senta no sofá, liga a câmera e avisa que vai ficar.