Um mês após a cirurgia, Baco Exu do Blues contou que entrou em desespero ao receber a previsão de três meses parado, bem no auge físico, mental e profissional. Em um relato cheio de axé, ele diz que a pausa virou virada de chave, abriu projetos e deixou um recado direto para quem está surtando com a própria travada.
Eu vou falar como quem já viu muito artista cair do salto por bem menos: Baco Exu do Blues “o gato da Bahia” apareceu com aquele texto que chega e dá um susto no coração da gente. Faz um mês que ele passou por uma cirurgia e a parte que pega não é a cicatriz. É a notícia vindo como uma faixa no peito, do jeito que ele descreveu, pesada, inevitável, com prazo e tudo. Três meses parado. No auge. Aí eu te pergunto, quem é que não ia ficar desesperado?

Ele contou que ficou frustrado, e eu acredito. Porque tem fase em que o corpo está respondendo, a cabeça está acesa, o trabalho está comendo na mão. Aí vem um freio desses e dá vontade de bater boca com o universo, pedir VAR, chamar a produção do reality e exigir replay. Só que Baco puxou para o lado dele, o lado homem de axé, e falou de propósito sem soar pastor de internet. Ele encarou a parada como caminho, com aquela calma que só chega depois do chororô.
E aí vem a parte que é venenosa de linda, porque humilha a ansiedade da gente. Nesse mês parado, ele disse que reaprendeu coisas que tinha esquecido que sabia, descobriu qualidades, abriu projetos, botou coisa em pé. A frase que fica é de uma maldade deliciosa: “Estou parado, mas nunca trabalhei tanto.” Pronto. A internet toda querendo sumiço explicado, e ele entrega vida, trabalho e um puxão de orelha carinhoso.
No fim do recado, Baco fala para ninguém se desesperar, porque tudo tem um motivo. Eu traduzo em bom português de colunista: respira, se recolhe, faz teu corre do jeito que dá, porque às vezes a vida te tira da pista para você mexer no que estava encostado. E ele ainda deixou claro, para quem estava achando que era sumiço de drama: está sumido, está vivo. E vivo com vontade.