Amadas, imagina se eu não gosto de música clássica. Imagina se eu não amo o gostoso do KVSH. Não dá, né. Eu nasci pronta pra esse tipo de caos sonoro elegante.Tô aqui enlouquecida, esperando virar o dia. Amanhã isso já vai estar no meu carro, no volume indecente. Já vai estar na minha Apple, já vai estar favoritado no Spotify, já vai estar grudado em mim igual glitter pós-folia.
Respira fundo porque isso aqui não pede autorização. KVSH e a Orquestra Ouro Preto voltam ao ataque com o segundo single de um projeto que gosta de provocar desconforto em ouvidos acomodados. A faixa chega no dia 16 de janeiro e deixa claro que a ideia nunca foi agradar por consenso.
A nova música parte de uma das obras mais conhecidas de Johann Sebastian Bach e faz algo que daria arrepios em purista distraído. A partitura ganha pulsação eletrônica, a pista invade a sala de concerto e ninguém sai ileso dessa colisão estética.
O encontro nasceu de uma provocação direta entre Rodrigo Toffolo e KVSH, ainda nas primeiras conversas do projeto. A proposta era simples e perigosa. Metade do repertório do DJ seria relida pela orquestra. A outra metade viraria música de concerto filtrada pela lógica da pista. O resultado é um diálogo frontal entre Bach e o drop, sem pedir licença e sem tentar suavizar o choque.
O lançamento vem embalado pelo efeito do primeiro single, Potter 3.0, que já tinha chamado atenção nas plataformas e no palco. Nos concertos realizados no Lago dos Ingleses e no Palácio das Artes, a resposta do público foi imediata. Gente do eletrônico, gente do clássico e curiosos dividindo o mesmo espaço com cara de surpresa boa.
Rodrigo Toffolo resume o espírito do trabalho ao lembrar que Bach sempre foi inquieto. A releitura traz essa inquietação para o presente, com outra energia, outra estética e a mesma tensão criativa que faz a música atravessar séculos.
Para Luciano Ferreira, o KVSH, a faixa carrega risco assumido. A intenção nunca foi suavizar. A ideia foi intensificar, levar Bach para um ambiente de pressão máxima, onde a força da orquestra encontra a densidade da pista sem concessões.
O selo MSK Records, responsável pelo lançamento, reforça que projetos assim ampliam público sem diluir conteúdo. A distribuição fica por conta da oneRPM, garantindo que o impacto chegue onde a conversa acontece hoje, no streaming, no fone e no replay.
O que KVSH e a Orquestra Ouro Preto entregam não é trilha de fundo. É música para ouvir com atenção, estranhar, repetir e comentar depois. Bach saiu da moldura dourada, a pista ganhou peso sinfônico e o ouvinte agradece o atrevimento.