Eu avisei que essa tarde da Globo não ia passar ilesa. Bastou Rainha da Sucata dar os primeiros sinais de cansaço que o telefone do Vale a Pena Ver de Novo começou a tocar sem parar. E quando esse telefone toca, meu amor, é porque alguém grande está prestes a entrar em cena.
Rainha da Sucata voltou ao ar em novembro de 2025 cercada de carinho, nostalgia e aquele respeito quase solene aos clássicos dos anos 90. Regina Duarte em modo Maria do Carmo, Tony Ramos em plena pose de galã dramático, figurinos exagerados e falas que hoje soam como documento histórico. Só que o público da tarde, esse ser imprevisível, não se apaixonou como a Globo esperava.

A audiência começou a escorregar, os capítulos passaram a ser exibidos com cortes cada vez mais visíveis e o clima nos bastidores mudou. De homenagem virou cálculo frio de planilha. E quando a planilha entra na sala, o romantismo sai pela porta dos fundos.
A previsão mais sólida aponta que Rainha da Sucata se despede no fim de março começo de abril , fechando um ciclo mais curto do que o planejado inicialmente. Nada oficial no ar, mas o ritmo acelerado da exibição entrega tudo, como aquele amigo que jura segredo e conta em três frases.

E aí entra ela. A novela que a Globo guarda como carta coringa, amuleto, botão de emergência e fenômeno eterno.
Avenida Brasil passou a circular com força total como a substituta favorita do horário. Avenida Brasil não é reprise comum. É evento. É novela que ainda gera meme, briga em rede social, torcida organizada e saudade coletiva , dia 30 de março chega para deixar as tardes mais venenosas!
A avaliação interna é simples e nada poética. Avenida Brasil entrega audiência imediata, engajamento digital e conversa entre gerações. A tia da sala, o adolescente do celular e o publicitário da planilha falam da mesma Carminha com a mesma intensidade emocional.
O movimento também dialoga com outro plano guardado a sete chaves, o aquecimento do público para uma continuação prevista para 2027 próximos anos, ainda tratada como projeto sensível dentro da emissora.
Na prática, a Globo quer transformar a tarde em terreno fértil de novo. Quer barulho. Quer conversa. Quer aquela sensação de que algo grande está acontecendo antes do jornal local.
Se confirmar, o Vale a Pena Ver de Novo deixa de ser apenas um horário de memória afetiva e vira palco de um dos maiores fenômenos da dramaturgia brasileira recente. Nina e Carminha descendo a ladeira da tarde, prontas para dominar o controle remoto outra vez.
E eu só digo uma coisa. Quem subestimou a força dessa novela vai precisar rever suas certezas. De preferência sentado.