Aqui em Veneza, com o canal lá embaixo e a minha alma de fã de novela completamente à flor da pele, eu abri a Veja e encontrei o mapa das ausências de Avenida Brasil 2 e precisei processar isso com calma.
Gente, a sequência da novela que parou o Brasil em 2012 vai estrear em janeiro de 2027, e o elenco já está diferente antes mesmo das gravações começarem.
A continuação é escrita novamente por João Emanuel Carneiro e a Globo está reprisando o original no Vale a Pena Ver de Novo para aquecer o público.
Nilo e Max não voltam porque seus personagens morreram no desfecho da história original, o que elimina José de Abreu e Marcello Novaes da equação de forma definitiva. Isis Valverde, que viveu Suellen com uma energia que o Brasil inteiro ainda cita, revelou no Altas Horas que não participará da sequência. Débora Falabella, a Nina, e Vera Holtz, a Mãe Lucinda, devem aparecer em participações especiais, sem presença fixa ao longo da trama.
No digital, a notícia das ausências repercutiu com aquela mistura característica de luto antecipado e curiosidade voraz. Fãs reconstituindo cenas icônicas de Suellen nos comentários, perfis de novela montando comparações de elenco e pelo menos duas threads debatendo se a sequência tem condição de replicar o fenômeno sem a Nina como centro.
A leitura que faço é a seguinte: Avenida Brasil virou patrimônio afetivo do Brasil de um jeito que pouquíssimas novelas conseguiram, e qualquer sequência vai carregar o peso de uma expectativa que nenhum elenco, por melhor que seja, consegue cumprir completamente. João Emanuel Carneiro sabe disso, e a decisão de trabalhar com participações especiais em vez de forçar retornos que não fazem sentido narrativo é mais inteligente do que parece. Trazer Nina de volta como protagonista seria repetir, e repetir mata o que Avenida Brasil construiu.
Nilo morreu, Max morreu, Suellen não vem, Nina aparece de visita. A
Kátia vai assistir igual, reclamando de tudo e chorando no mesmo capítulo.