Bento Gonçalves acordou animada e de salto alto. A Vinícola Aurora resolveu avisar ao mercado que 2026 não será ano de conversa fiada. A projeção é clara, direta e sem modéstia ensaiada, cerca de 85 milhões de quilos de uvas, um salto de 18,7% sobre a safra anterior. Número grande, sorriso maior ainda.
O motivo não veio do acaso nem de presságio astrológico. Veio de vinhedo saudável, clima cooperando e uma decisão bem pragmática, aumentar a área de uvas voltadas para espumantes. Chardonnay, Malvasia Aromática, Moscatos diversos. A Aurora olha para o mercado e responde com plantio, não com discurso.
Nos bastidores da lavoura, o clima fez o dever de casa. Inverno frio na medida certa, brotação uniforme, gemas férteis e parreirais com cara de quem vai entregar resultado. O gerente agrícola Maurício Bonafé joga luz no ponto que interessa, fertilidade de gemas alta, potencial produtivo confirmado, agora só falta a colheita bater o martelo.
A colheita do Chardonnay para base de espumante deve começar entre 10 e 12 de janeiro, abrindo a temporada com jeito de estreia de série aguardada. As variedades americanas e híbridas vêm logo atrás, maduras, sanidade em dia e sem drama climático para atrapalhar a narrativa.
O plano é simples e nada romântico, colher bem, processar mais e reforçar a liderança. A Aurora já responde por até 15% de toda a safra de uvas do Rio Grande do Sul e não demonstra vontade alguma de perder espaço. Com três mil hectares cultivados, 1.100 famílias cooperadas e presença em 26 estados, a cooperativa opera no modo escala, não no modo poesia.
Para completar o quadro, o caixa ajuda a manter o bom humor. Em 2024, faturamento de R$ 841 milhões, crescimento de 7% e um portfólio de 220 rótulos circulando pelo Brasil e por 17 países. Em 2026, a Aurora completa 95 anos fazendo o que sabe, plantar, colher, vender e crescer, tudo com espumante gelado e planilha aberta.