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Kátia Flávia
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Ataque na fábrica da Bombril mata 3 e polícia investiga bullying

Três trabalhadores terceirizados foram mortos a facadas na manhã de sábado dentro da fábrica da Bombril, em São Bernardo do Campo, e o autor do ataque, que estava de folga e foi até a unidade, morreu horas depois no 2º DP. A nota da empresa repetiu em cada parágrafo que autor e vítimas eram contratados pela TPC, detalhe que ninguém deixa registrado sem motivo.

Kátia Flávia

02/08/2026 8h38

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o crime aconteceu por volta das 5h50 na unidade da empresa localizada na Avenida Marginal Direita Anchieta, no bairro Rudge Ramos.

Eu estava sentada nas pedrinhas de Cala Salada, aquela prainha pequena do sul de Ibiza, quando o telefone tocou e uma fonte de São Paulo começou a falar rápido demais. Ouvi duas frases e larguei o café. Tem manhã em que a coluna para de rir.

O ataque aconteceu por volta das 5h50 de sábado, 1º de agosto, dentro da fábrica da Bombril em Rudge Ramos, São Bernardo do Campo, às margens da Via Anchieta. Morreram o conferente José Guilherme Victoriano de Moura, de 54 anos, o supervisor Edvaldo Santos da Silva, de 44, e o operador de empilhadeira Douglas de Souza Vieira, de 39. Três homens que estavam trabalhando num sábado de manhã como em qualquer outro dia.

O autor foi identificado como Claudio Henrique da Silva, de 33 anos, operador de empilhadeira terceirizado pela TPC Logística, a mesma empresa que empregava as vítimas. Segundo o boletim de ocorrência, ele estava de folga e foi até a unidade. Douglas teria sido atingido ao tentar conter o agressor, informação que consta nos registros policiais e que diz muito sobre o tipo de trabalhador que ele era.

Testemunhas relataram à Polícia Civil que Claudio sofria bullying por parte de duas das vítimas, e essa é a linha inicial de investigação. Nada disso está confirmado oficialmente. A apuração segue por inquérito com a equipe de homicídios da DEIC de São Bernardo do Campo, que vai verificar se existia registro anterior de conflito, queixa formal ou qualquer aviso à chefia.

Contido por funcionários e preso pela Polícia Militar ainda na fábrica, Claudio foi levado ao 2º Distrito Policial e morreu na carceragem. A Secretaria da Segurança Pública informou que ele tirou a própria vida, e a Corregedoria da Polícia Civil apura as circunstâncias da morte sob custódia. São quatro famílias enterrando alguém neste fim de semana.

A Bombril divulgou nota repudiando o ato, disse que acionou os órgãos responsáveis e fez questão de deixar claro em cada parágrafo que autor e vítimas eram terceirizados contratados pela TPC, não empregados diretos. A TPC lamentou o ocorrido, afirmou que presta assistência às famílias e que colabora com as autoridades. Duas empresas, duas notas, e nenhuma delas responde ainda a pergunta que a investigação vai ter que responder: se alguém dentro daquela operação sabia do que estava acontecendo antes de sábado de manhã.

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