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Kátia Flávia
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Ataque a show de Tiago Santineli em BH termina na delegacia

O show de Tiago Santineli em Belo Horizonte, realizado no sábado, 21 de março, foi alvo de protesto de grupos religiosos na porta da casa de espetáculos e terminou com o humorista conduzido à delegacia após o tumulto. O estopim da confusão foi a mobilização contra a apresentação, divulgada como ligada ao show “Anticristo”, embora o próprio comediante tenha afirmado depois que o espetáculo daquela noite tratava de umbanda e religiões de matriz africana.

Kátia Flávia

22/03/2026 8h28

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No sábado (20), “cristãos” bolsonaristas assediaram e realizaram uma vigília durante o show de Tiago Santineli em Belo Horizonte. (Foto: Reprodução/ Diário do Centro do Mundo)

Hoje eu parei a fofoca em Roma, com a unha pela metade e o mega hair pedindo manutenção, para olhar essa confusão na minha Belo Horizonte que já chegou com cheiro de barraco político travestido de defesa da fé. O caso aconteceu , ontem ( sábado, 21 de março), na capital mineira, onde Santineli tinha show marcado e já vinha sendo alvo de mobilização pública contra a apresentação. A Itatiaia registrou que grupos de cristãos, entre evangélicos e católicos e Bolsonaristas , organizaram uma vigília de oração na porta do evento, dizendo que o conteúdo do humorista ofendia a fé cristã. 

O enredo começou a ferver dias antes. No Diário do Legislativo da Assembleia de Minas, o deputado Bruno Engler atacou da tribuna um show atribuído a Santineli com o nome de “Anticristo”, disse que o comediante debocha da fé cristã e cobrou reação contra a apresentação em BH. Ao mesmo tempo, a própria cobertura da Itatiaia mostrou que a procura pelos ingressos disparou, com as duas sessões esgotadas, num daqueles milagres modernos em que o boicote faz o caixa sorrir. 

A parte grave veio no desfecho da noite. O DCM publicou que, ao fim da apresentação, Santineli foi levado à delegacia pela polícia após reagir em tom de deboche aos ataques e ao tumulto do lado de fora. O site também reproduziu mensagem atribuída ao humorista, na qual ele disse que os deputados não conseguiram cancelar o show, que a casa estava cheia e que o grupo na porta tentou transformar a entrada do teatro num palco improvisado de moralismo. 

Tem ainda um detalhe que muda bastante a moldura do caso, e eu tô dizendo isso de máscara de pepino no hotel, mas com o radar jornalístico ligado. Segundo a postagem reproduzida pelo DCM, Santineli afirmou que o espetáculo daquela noite não era o show “Anticristo”, e sim uma apresentação sobre umbanda e religiões de matriz africana. Se essa versão estiver correta, a confusão ganha uma camada ainda mais delicada, porque sai da briga entre humor e conservadorismo e entra também no terreno do racismo religioso. 

No digital, a treta explodiu com vídeos, aplausos ao humorista na saída e menções à presença de Djonga, mas esse pedaço circula sobretudo em redes e em relatos reproduzidos por sites, então eu prefiro manter o salto alto da cautela. O que está sólido nas fontes abertas é o seguinte, houve campanha contra o show, houve vigília na porta, houve tumulto e Santineli terminou conduzido à delegacia. O que ainda não apareceu com nitidez nas fontes abertas que consultei foi a confirmação formal de prisão, o motivo jurídico exato da condução e o nome da delegacia, então inventar esse pedaço seria fazer fanfic de boletim de ocorrência, e eu não trabalho para a central de delírio.

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