Amados , tem muita gente cantando música de Dilsinho por aí sem nem desconfiar que a criatura já distribuía sentimento em forma de refrão muito antes de virar o príncipe oficial do pagode romântico. Meu amor, eu adoro esse tipo de história porque desmonta a versão preguiçosa do artista que simplesmente apareceu pronto no palco, com luz bonita e coração partido embalado para consumo.
Antes de firmar o nome como cantor popular, Dilsinho já rodava com força nos bastidores da música brasileira como compositor. E mora aí uma das curiosidades mais gostosas da carreira dele, várias canções conhecidas do público saíram da cabeça do carioca, mas acabaram eternizadas na voz de outros artistas. O povo lembra do intérprete, do hit, do refrão que cola, mas o autor muitas vezes fica escondido ali no crédito final, quase como aquele personagem ótimo de novela que segura a trama inteira e mesmo assim não leva a capa da revista.
Ao longo da trajetória, Dilsinho foi construindo uma identidade que passa longe de depender só da própria interpretação. Com um repertório afetivo e uma caneta treinada para melodia, sentimento e letra pegajosa, ele ajudou a dar forma a músicas que ganharam espaço nas vozes de nomes como Alexandre Pires, Sorriso Maroto e Thiago Martins. Isso ajuda a explicar por que a ascensão dele como artista de peso pareceu tão natural, porque já existia ali alguém entendendo profundamente o mecanismo da canção popular antes mesmo de ocupar o centro do palco.
O mais curioso é que esse lado compositor costuma ficar em segundo plano toda vez que se fala em Dilsinho. O público pensa logo no cantor romântico, nos sucessos da própria discografia, na presença forte nas plataformas, no rosto conhecido, no pacote completo. Só que por baixo dessa imagem existe um trabalho autoral consistente, daqueles que abrem porta, fortalecem reputação e fazem o mercado olhar para o sujeito com outra reverência. Eu tive que parar a fofoca para marcar uma massagem e pensar que, no fundo do camarim musical, Dilsinho já estava arrumando a casa de muita gente antes de decorar a dele.
Uma das composições que mais chamam atenção nesse pacote é “Maluca Pirada”, escrita por Dilsinho e gravada por Alexandre Pires e Mumuzinho. A música começou a ganhar corpo no circuito do pagode e virou uma vitrine importante para o lado autoral dele, aquele lado que muita gente ignora porque prefere olhar só para o rosto bonito e para o microfone na mão. Eu tive que sentar para processar, porque isso aqui já mostra que o rapaz não entrou na música só para cantar, entrou para abastecer repertório de gente grande.
Depois, o nome dele foi aparecendo com mais força em outros repertórios, principalmente no pagode e na música popular romântica, onde letra com apelo afetivo vale quase como joia de família. “Pra Você Escutar” foi gravada pelo Sorriso Maroto, grupo com quem Dilsinho mantém uma ligação artística forte, e “Aí Que Eu Gosto e Vou Pra Cima” também entrou nesse universo. Meu amor, aí já estamos falando de alguém que entende como pouca gente o caminho exato entre melodia que gruda e sentimento que escorre pela sala igual cena de novela das nove.
E a lista ainda passa por “Do Outro Lado do Mundo”, registrada na voz de Thiago Martins, além de outras parcerias espalhadas nesse ecossistema do pagode. Isso ajuda a contar uma história que o público às vezes demora a enxergar, Dilsinho transitou muito bem entre autor e intérprete desde o começo da carreira. Se tem famoso surtando, tem Kátia anotando, e se tem compositor bonito entregando hit para os outros antes de guardar alguns para si, eu presto atenção na hora, porque isso tem cheiro de bastidor forte e inteligência de mercado.
O mais gostoso dessa pauta é o susto que ela dá. A pessoa descobre que cantava Dilsinho antes mesmo de ouvir Dilsinho como estrela principal, e a chave vira na mesma hora. Eu acho isso chiquérrimo, porque ter voz ajuda, ter carisma ajuda mais ainda, mas sair da própria cabeça uma música que cola na boca do povo, meu bem, isso já é poder de quem entra no jogo sabendo exatamente onde quer sentar.