Uma petição criada pela torcedora argentina Gisela Sánchez pede que a Fifa repita a final da Copa do Mundo de 2026, vencida pela Espanha por 1 a 0. O movimento acusa o árbitro esloveno Slavko Vincic de uma atuação “polêmica e corrupta”, sem apresentar provas de manipulação, e já supera 80 mil assinaturas. O principal alvo da revolta é a expulsão de Enzo Fernández, que recebeu o segundo amarelo nos acréscimos.
Eu acordei no Cosme Velho, abri a janela para esse Rio meio nublado e fui fazer café achando que a ressaca da Copa finalmente tinha dado uma trégua. Aí peguei o celular e descobri que a Argentina decidiu abrir protocolo no departamento celestial da Fifa: querem uma nova final. Meu café esfriou olhando para a tela.

A final terminou 1 a 0 para a Espanha, com gol de Ferran Torres na prorrogação. Antes disso, Enzo deixou a Argentina com dez jogadores após receber o segundo cartão amarelo por falta em Pau Cubarsí. A derrota já tinha deixado Messi em lágrimas, o país inteiro em choque e a internet com material para uma tese de doutorado em dor de cotovelo internacional.
A petição exige que a Fifa reveja a partida e repita o jogo sem Vincic. No texto, a autora sustenta que vídeos provariam favorecimento à Espanha. Mas aí entra a parte menos divertida para quem já está escolhendo a escalação da revanche: cartão, falta, acréscimo e interpretação de lance são decisões de campo. E decisão de campo, por mais que doa, não vira anulação de final porque uma multidão assinou um formulário.
Fui para a cozinha buscar outra xícara e pensei que abaixo-assinado é uma ferramenta linda, mas não tem poder para desexpulsar jogador três dias depois. As Leis do Jogo tratam o árbitro como a autoridade final sobre os fatos da partida; o VAR só pode intervir durante o jogo diante de erro claro e óbvio ou incidente grave não visto.
Repetições são raríssimas e normalmente dependem de um erro técnico na aplicação da regra, não de discordância sobre uma decisão disciplinar. A campanha argentina pode pressionar, render manchete, virar meme e fazer a Fifa receber mais notificações que uma influencer em lançamento de base, mas não cria automaticamente um recurso esportivo.

E nem os especialistas que analisaram o lance da expulsão compraram a tese de escândalo: a leitura publicada na imprensa espanhola foi de que a segunda falta de Enzo justificava o amarelo, embora o cartão tenha mudado completamente o roteiro da final.
No fim, a Espanha continua campeã, a Argentina continua inconformada e eu continuo aqui no Cosme Velho tentando decidir se esse café pede açúcar ou um minuto de silêncio pelo futebol sul-americano. Porque pedir replay da final é livre. Conseguir, minha filha, é outra Copa.