O deputado argentino Juan Grabois acusou o governo de Javier Milei de conduzir um projeto para transformar a Argentina em uma espécie de laboratório tecnológico internacional. Em entrevista ao apresentador Tomás Rebord, ele afirmou que o chamado Super RIGI, pacote de incentivos para grandes investimentos em inteligência artificial, centros de dados e infraestrutura, poderia reduzir controles regulatórios e abrir espaço para experiências científicas no país.
Eu acordei em Ibiza já no meio-dia local, porque ontem a noite foi longa, o salto dourado cobrou juros e o ar-condicionado do quarto virou meu melhor amigo. Abri a cortina e dei de cara com 31 graus, céu parcialmente ensolarado e essa notícia com cheiro de ficção científica escrita por assessor que viu Black Mirror demais. Argentina, Milei, bilionário da tecnologia, IA, edição genética e gente pobre no meio da conta. Meu café gelado com leite de amêndoas quase pediu demissão.

Grabois afirmou suspeitar que empresas interessadas no novo regime “vão experimentar com os argentinos”. Segundo ele, a proposta não trataria apenas de incentivo fiscal, mas também de uma flexibilização mais ampla para projetos de tecnologia em território argentino.
O deputado ainda resgatou uma discussão antiga com Milei sobre comercialização de órgãos humanos. De acordo com Grabois, o então candidato “sabia perfeitamente do que estava falando” quando defendia ideias nessa linha. Aqui, minha filha, a fofoca sai do camarim e entra direto no laboratório com luz fria.
O ponto mais pesado veio quando Grabois comparou o cenário ao filme Gattaca, clássico de 1997 sobre seleção genética e desigualdade biológica. Para ele, a Argentina poderia caminhar para um modelo em que empresas comprariam grandes áreas, controlariam recursos estratégicos e desenvolveriam tecnologias de edição genética em humanos.
Eu estava cortando uma fatia de pão tostado com tomate e azeite, tentando fingir que isso era um café da manhã equilibrado, quando li a frase mais assustadora da entrevista. Grabois disse que, em um país empobrecido, empresas poderiam buscar pessoas em situação de vulnerabilidade para experiências ou até extração ilegal de órgãos. “Vão aos bairros mais pobres procurar indigentes e bater neles para tirar o fígado”, declarou.
A acusação é gravíssima e, até aqui, aparece como alerta político feito por Grabois, não como fato comprovado. Mas o tamanho do barulho está justamente aí: ele tenta colar em Milei a imagem de um presidente disposto a entregar soberania, terra, água e gente para grandes corporações em nome de um futuro tecnológico sem freio.

Grabois também citou a aproximação com figuras como Peter Thiel, bilionário ligado à Palantir, empresa conhecida por atuar com dados, vigilância e tecnologia aplicada à segurança. Para o deputado, esse tipo de conexão reforçaria a ideia de que a Argentina estaria sendo preparada para virar vitrine de um projeto aceleracionista, daqueles que tratam sociedade como experimento e pobre como detalhe estatístico.
Do lado de cá, coloquei óculos escuros antes mesmo de sair do quarto, porque essa pauta pede proteção nos olhos e na alma. Milei já era personagem de novela política, mas agora a acusação colocou o presidente argentino em um roteiro quase pós-apocalíptico: país laboratório, IA no comando, bilionário rondando e deputado falando em fígado. Nem Ibiza, com 31 graus e praia chamando, conseguiu competir com esse delírio internacional.