A Federação Italiana de Futebol (FIGC) procurou Carlo Ancelotti para assumir a Azzurra depois do fracasso da equipe em ficar fora da Copa do Mundo de 2026. Quem confirmou a sondagem foi Paolo Maldini, diretor técnico da FIGC, ao revelar que o treinador da Seleção Brasileira entrou na lista antes mesmo de a entidade abrir conversa com Pep Guardiola.
Eu entrei no carro no Cosme Velho, desci rumo ao Leblon para almoçar com um amigo produtor de cinema e fui logo avisando que a conversa de hoje tinha roteiro de suspense. Porque a Itália não foi atrás de um técnico qualquer: foi atrás do italiano que o Brasil acabou de segurar até 2030, em pleno momento de pressão depois da queda na Copa do Mundo.

Maldini falou sem rodeio: “Não podemos esconder que falamos também com Ancelotti antes de falar com Pep Guardiola. Nos pareceu justo começar por aqueles que considerávamos os melhores do mundo, mas é preciso verificar a disponibilidade geral”. Traduzindo para o português das amigas: a FIGC viu Ancelotti empregado, mas quis saber se havia uma brecha nessa porta. Maldini confirmou publicamente o contato.
No caminho, parei num sinal e fiquei pensando que a Itália está procurando uma solução para um problema enorme: a seleção ficou fora de mais um Mundial, e Maldini quer alguém capaz de reconstruir a casa. Guardiola é sonho, Ancelotti é sonho com sotaque italiano e currículo que dispensa apresentação. Só que sonho de federação costuma esbarrar na papelada de outra federação.
Ancelotti não está livre no mercado. A CBF renovou seu contrato até a Copa do Mundo de 2030 e estendeu os vínculos da comissão técnica para o próximo ciclo. Não há anúncio de saída, acerto ou negociação pública para ele deixar o Brasil; o que existe é a tentativa italiana confirmada e um contrato brasileiro longo no caminho. A permanência até 2030 foi oficializada pela CBF.

Cheguei ao Leblon e encontrei meu amigo já sentado, com aquela cara de produtor que conhece a diferença entre uma boa reviravolta e um trailer enganoso. Pedi a mesa e falei: “A Itália paquerou, mas não levou”. O Brasil perdeu a Copa do Mundo, é verdade, mas a CBF reafirmou o técnico para a reconstrução até 2030. Após a eliminação, a direção da CBF também disse que Ancelotti ficaria no cargo.
A história está aberta porque convite de seleção italiana nunca é só uma ligação, mas não há adeus marcado. Enquanto o garçom se aproximava, eu só conseguia pensar que Maldini pode ter começado pelo melhor do mundo, mas terá de descobrir se consegue arrancá-lo do contrato mais protegido do futebol brasileiro.