Eu estava aqui no Cosme Velho, entre um café forte, uma ligação atravessada e uma unha secando em tom de vermelho vingança, quando o grupo começou a ferver com o novo capítulo da novela santista. Robinho Jr. resolveu falar, meu amor, e falou com aquela cara de quem queria encerrar a confusão antes que a confusão comprasse uma cobertura no Guarujá. O menino confirmou o tapa no rosto dado por Neymar, mas tratou de colocar gelo, flor de laranjeira e um “vamos seguir” em cima do barraco.
O filho de Robinho disse que ficou chateado porque Neymar não era qualquer um na vida dele. Era ídolo de infância, daqueles que dão camisa de presente e fazem criança chorar de emoção, coisa que a gente guarda na gaveta e na terapia. Mesmo assim, Robinho Jr. afirmou que o camisa 10 pediu desculpas na hora, pediu de novo, assumiu que passou do ponto e teve as desculpas aceitas.


A parte mais saborosa, claro, veio quando perguntaram sobre a notificação extrajudicial enviada pelos representantes dele ao Santos. Robinho Jr. colocou aquilo na prateleira dos atos feitos no calor da raiva, com empresário soprando, coração batendo e imprensa farejando sangue como madame em liquidação de joia. Segundo ele, foi mais sentimento do que pensamento, e a intenção agora é retirar a reclamação formal.
Também teve reconciliação com direito a discurso de paz, foco no Santos e promessa de vida seguindo na Vila. Robinho Jr. disse que conversou com Neymar, com os pais e com os empresários, e ainda reforçou que quer continuar no clube, porque sente que deve futebol à torcida santista.
Traduzindo do futebolês para o fofocalês, o menino levou o tapa, engoliu o orgulho, aceitou o perdão e ainda saiu dizendo que a vida continua no CT.
Neymar, por sua vez, ficou no papel clássico do craque que perde a cabeça, pede desculpa e tenta puxar a cortina antes que a plateia compre ingresso para a segunda temporada. O abraço na comemoração do gol virou a foto perfeita do “estamos em paz”, embora todo mundo saiba que paz no futebol brasileiro dura até o próximo treino quente. No fim, minha filha, o tapa virou manchete, a desculpa virou estratégia de contenção e a notificação foi para o mesmo lugar dos áudios apagados de família rica, todo mundo sabe que existiu, mas agora fingem elegância.
Confira o vídeo: