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Kátia Flávia
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Após passar por Maranhão e Pará, Mostra MAPA leva memórias da Estrada de Ferro Carajás para Brasília

Projeto de videoarte que reuniu centenas de pessoas em espaços públicos chega à Casa da Cultura da América Latina (CAL), entre os dias 9 e 31 de julho

Kátia Flávia

09/06/2026 16h30

Depois de passar por São Luís e Belém, a Mostra MAPA chega a Brasília levando arte, memória ferroviária e videoarte para a Casa da Cultura da América Latina.

Depois de passar por São Luís e Belém, a Mostra MAPA chega a Brasília levando arte, memória ferroviária e videoarte para a Casa da Cultura da América Latina.

Depois de transformar praças históricas do Maranhão e do Pará em grandes galerias a céu aberto, a 1ª Mostra de Imagem em Movimento (MAPA) se prepara para sua última parada. Entre os dias 9 e 31 de julho, o projeto desembarca na Casa da Cultura da América Latina (CAL), em Brasília (DF), levando ao público um acervo que ressignifica as memórias, histórias e trajetórias construídas ao longo dos 892 quilômetros da Estrada de Ferro Carajás (EFC).

Antes de chegar ao Distrito Federal, o MAPA percorreu duas capitais diretamente conectadas à ferrovia. Em São Luís (MA), as projeções ocuparam as praças Nauro Machado e Valdelino Cécio. Já em Belém (PA), o festival transformou as fachadas das tradicionais Onze Janelas, na Praça Frei Brandão, em telas gigantes para exibição de obras audiovisuais inspiradas na cultura, na memória e na identidade das comunidades ferroviárias.

Ao longo das apresentações, centenas de pessoas acompanharam gratuitamente uma programação que reuniu videoarte, instalações interativas, intervenções sonoras e visuais, apresentações musicais e atividades voltadas para diferentes gerações. Ao todo, mais de quatro mil metros quadrados de arte, cultura e histórias ferroviárias foram projetados em espaços públicos.

“A recepção do público mostrou muito um olhar de curiosidade para essa linguagem da videoarte. Ao mesmo tempo que a gente explora essas possibilidades, de uma narrativa que não é cinema, traz para essa potência de discutir a própria história da ferrovia”, afirma o artista plástico Dinho Araújo, um dos participantes do projeto.

A programação contou com mais de oito horas de exibições audiovisuais distribuídas em quatro noites, reunindo dez artistas selecionados do eixo Maranhão–Pará. As obras ocuparam edifícios históricos por meio de imagens, animações e vídeos assinados por Acaique, Bárbara Savannah, Dinho Araújo, Ícaro Matos, Inke, Juruna, Leonardo Venturieri, Rafa Cardozo, Ramusyo Brasil e Silvana Mendes.

Entre os trabalhos apresentados estão os curtas Tudo é Correnteza, de Rafa Cardozo; Um Horizonte em Movimento, de Bárbara Savannah; Travessia, de Ícaro Matos; Todo Trajeto Também É Um Rio, de Juruna; Alvorada e Fuga, de Leonardo Venturieri; Uma Casinha no Trilho, de Acaique; História da Terra, de Dinho Araújo; Frágil Dureza, de Inke; Temp(l)o do Rosa Fixado, de Ramusyo Brasil; e Sol de Meio Dia, de Silvana Mendes.

“Pela primeira vez, aos quase quarenta e oito anos, eu tive a oportunidade de trabalhar com algum recurso, de trabalhar com equipe, uma ideia geradora e de tudo que vem a partir daí”, destaca Ramusyo Brasil.

A mostra também abriu espaço para manifestações culturais locais, ampliando o diálogo entre arte contemporânea, patrimônio histórico e cultura popular. Entre as atrações estiveram o Bumba Meu Boi de Maracanã, DJ Gabi Leão, Nat Esquema, Bixo Selecta, Carimbó Selvagem e o coletivo Acorda Pedreira.

Desde o início das atividades, em agosto de 2025, o projeto mobilizou uma ampla rede de artistas, pesquisadores, produtores e profissionais da economia criativa. Em seu primeiro ano, o MAPA recebeu cerca de 184 inscrições e impulsionou a contratação de 40 empresas, envolvendo diretamente mais de 230 profissionais entre artistas, técnicos, produtores e prestadores de serviço.

“É a primeira vez que eu realmente me sinto artista, valorizado como artista, fazendo um trabalho de arte”, afirma o artista visual Inke.

Última estação em Brasília

Agora, o projeto chega ao Centro-Oeste para uma nova leitura de seu acervo. A exposição na Casa da Cultura da América Latina (CAL) apresentará uma versão adaptada das obras exibidas nas ruas e praças, aproximando o público de um conjunto de produções que unem ancestralidade, memória afetiva e experimentação audiovisual.

“O MAPA nasceu como um programa curatorial que entende a videoarte como uma linguagem livre, acessível e descentralizada. Diferente do cinema tradicional, que exige grandes estruturas e orçamentos robustos, a videoarte expande o campo das expressões. Com um celular na mão e uma ideia potente, esses artistas puderam criar, se expressar e entrelaçar os diversos destinos que culminaram nesses 40 anos da EFC”, explica João Pacca, coordenador-geral e curador do projeto.

A 1ª Mostra de Imagem em Movimento (MAPA) é realizada pela OPACCA Produção de Imagem, com articulação e parceria da Vale, por meio de Recursos para Preservação da Memória Ferroviária (RPMF), e é uma iniciativa da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

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