Estava aqui em Capri, meu povo, de iate ancorado entre duas ilhas, quando esse vídeo da Apoline me chegou no celular e eu precisei assistir três vezes. Não de emoção. De espanto com a estratégia. Ou a falta dela.
Apoline gravou um vídeo público dizendo que não concorda com Érika Hilton assumindo a comissão da mulher na Câmara, que seria mais adequado Érika ocupar uma comissão de defesa das mulheres trans, e emendou que há experiências que mulheres trans não compartilham com mulheres cisgênero. Disse que admira Érika como pessoa. 455 mil visualizações, Brasil dividido, missão cumprida. Só que missão de quê, exatamente?
Porque aqui está o detalhe que Kátia não deixa passar: se você tem uma crítica política legítima sobre representação e enquadramento de comissão, você liga pra deputada. Você vai à imprensa. Você assina um artigo. Você não grava um vídeo de influencer pra plataforma de entretenimento e depois fica surpresa quando vira caos. Apoline escolheu o palco e o palco entregou o resultado que o palco sempre entrega.
O resultado? O debate que deveria ser sobre política parlamentar virou debate sobre Apoline. A Érika Hilton nem precisou responder. Ficou ali, deputada federal com comissão, enquanto as 674 respostas nos comentários discutiam a Apoline. Estratégia zero, visibilidade máxima. Na política isso tem nome. No entretenimento também.
Érika Hilton, de longe, assistindo tudo isso: imagino que com uma xícara de chá e uma expressão de quem já viu esse filme antes. Apoline quis falar de representação e acabou representando exatamente o que não queria. A ironia não precisou de roteirista.