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Kátia Flávia
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Antonia Fontenelle volta ao Golden Green, onde Flávia Alessandra trocou a fechadura

Candidata a deputada federal, Fontenelle encerrou a campanha no prédio onde viveu com Marcos Paulo e foi recebida aos abraços por ex-vizinhos.

Kátia Flávia

02/10/2026 11h16

Antonia Fontenelle voltou ao Golden Green, condomínio onde viveu durante sete anos com Marcos Paulo.

Antonia Fontenelle voltou ao Golden Green, condomínio onde viveu durante sete anos com Marcos Paulo.

Eu estava em Sintra, almoçando com as minhas amigas, já na segunda taça de vinho verde, quando abri o Instagram e travei. Tive que largar o garfo. Antonia Fontenelle estava de volta ao Golden Green, na Barra da Tijuca, emocionada, sendo recebida pelos ex-vizinhos. Liguei na hora. Antônia, atende. Nada. Liguei de novo. Nada. Minhas amigas ficaram me olhando, e eu só conseguia repetir que o mundo dá voltas, gente.

A própria Antonia contou a história: “Meus amores, pode levar o tempo que for, a verdade sempre será a verdade. Eu encerrei a minha campanha de rua aonde tudo começou. No Golden Green aonde eu vivi por 7 anos com o meu marido. Ontem fui acolhida pelos meus ex-vizinhos”. Ela é candidata a deputada federal pelo PSDB no Rio. No post, também agradeceu o apoio da Dra. Lenise Durão, coronel da PM, que concorre a deputada estadual.

Agora vem a parte que muda tudo. Em novembro de 2012, semanas depois da morte de Marcos Paulo, as fechaduras daquele apartamento foram trocadas. A informação saiu na coluna de Leo Dias, no jornal O Dia, e atribuía a troca a Flávia Alessandra, ex-mulher do diretor e mãe de Giulia, uma das herdeiras. Na mesma época, as três filhas dele (Vanessa, Mariana e Giulia) conseguiram na Justiça uma liminar que bloqueava as contas e o imóvel. Abordada por jornalistas, Antonia disse só isto: “Essa verdade será contada mais para a frente”. Ela esperou quase 14 anos e escolheu contar na porta do prédio.

Depois veio a novela judicial. Por volta de 2013, uma juíza da 1ª Vara de Família da Barra negou a Antonia o direito à herança e não reconheceu uma carta escrita à mão por Marcos Paulo. Em dezembro de 2016, outro juiz da mesma vara a reconheceu como herdeira. Em 2019, a Justiça do Rio decidiu que ela teria direito a parte do patrimônio, que foi avaliado em cerca de R$ 30 milhões. O casal viveu junto de 2005 a 2012, com escritura de união estável.

O lado de lá também falou. Em 2017, o advogado que representava Flávia e Giulia disse à revista Veja que “a condição de herdeira nunca foi questionada, até porque decorre da escritura de união estável”, e que a carta de Antonia não tinha valor. Na mesma reportagem, o advogado de Antonia respondeu que o reconhecimento era uma “questão moral, pois conviveu com ele durante 7 anos”. Ou seja, os sete anos citados por Antonia no post de agora aparecem nos autos desde aquela época.

O detalhe que quase ninguém percebeu: a cobertura nem é mais da família. Em setembro de 2025, Antonia contou que assinou a venda do imóvel, que estava fechado havia mais de dez anos. Segundo ela, a cobertura foi vendida “por menos da metade do que valia”, sendo que a avaliação girava em torno de R$ 9 milhões. Isso quer dizer que ela voltou sem chave nenhuma. Quem abriu a porta dessa vez foram os vizinhos.

Antonia Fontenelle escolheu o Golden Green para encerrar sua campanha de rua no Rio de Janeiro.

Pedi a conta, tentei ligar pela terceira vez e caiu na caixa postal de novo. Tudo bem, Antônia. Tem gente que precisou de fechadura nova para te tirar de lá, e você precisou só de um abraço para voltar.

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