Eu estava em Sintra, almoçando com as minhas amigas, já na segunda taça de vinho verde, quando abri o Instagram e travei. Tive que largar o garfo. Antonia Fontenelle estava de volta ao Golden Green, na Barra da Tijuca, emocionada, sendo recebida pelos ex-vizinhos. Liguei na hora. Antônia, atende. Nada. Liguei de novo. Nada. Minhas amigas ficaram me olhando, e eu só conseguia repetir que o mundo dá voltas, gente.
A própria Antonia contou a história: “Meus amores, pode levar o tempo que for, a verdade sempre será a verdade. Eu encerrei a minha campanha de rua aonde tudo começou. No Golden Green aonde eu vivi por 7 anos com o meu marido. Ontem fui acolhida pelos meus ex-vizinhos”. Ela é candidata a deputada federal pelo PSDB no Rio. No post, também agradeceu o apoio da Dra. Lenise Durão, coronel da PM, que concorre a deputada estadual.

Agora vem a parte que muda tudo. Em novembro de 2012, semanas depois da morte de Marcos Paulo, as fechaduras daquele apartamento foram trocadas. A informação saiu na coluna de Leo Dias, no jornal O Dia, e atribuía a troca a Flávia Alessandra, ex-mulher do diretor e mãe de Giulia, uma das herdeiras. Na mesma época, as três filhas dele (Vanessa, Mariana e Giulia) conseguiram na Justiça uma liminar que bloqueava as contas e o imóvel. Abordada por jornalistas, Antonia disse só isto: “Essa verdade será contada mais para a frente”. Ela esperou quase 14 anos e escolheu contar na porta do prédio.
Depois veio a novela judicial. Por volta de 2013, uma juíza da 1ª Vara de Família da Barra negou a Antonia o direito à herança e não reconheceu uma carta escrita à mão por Marcos Paulo. Em dezembro de 2016, outro juiz da mesma vara a reconheceu como herdeira. Em 2019, a Justiça do Rio decidiu que ela teria direito a parte do patrimônio, que foi avaliado em cerca de R$ 30 milhões. O casal viveu junto de 2005 a 2012, com escritura de união estável.
O lado de lá também falou. Em 2017, o advogado que representava Flávia e Giulia disse à revista Veja que “a condição de herdeira nunca foi questionada, até porque decorre da escritura de união estável”, e que a carta de Antonia não tinha valor. Na mesma reportagem, o advogado de Antonia respondeu que o reconhecimento era uma “questão moral, pois conviveu com ele durante 7 anos”. Ou seja, os sete anos citados por Antonia no post de agora aparecem nos autos desde aquela época.
O detalhe que quase ninguém percebeu: a cobertura nem é mais da família. Em setembro de 2025, Antonia contou que assinou a venda do imóvel, que estava fechado havia mais de dez anos. Segundo ela, a cobertura foi vendida “por menos da metade do que valia”, sendo que a avaliação girava em torno de R$ 9 milhões. Isso quer dizer que ela voltou sem chave nenhuma. Quem abriu a porta dessa vez foram os vizinhos.
Pedi a conta, tentei ligar pela terceira vez e caiu na caixa postal de novo. Tudo bem, Antônia. Tem gente que precisou de fechadura nova para te tirar de lá, e você precisou só de um abraço para voltar.