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Kátia Flávia
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Antônia Fontenelle se filia ao PSDB e expõe o fanatismo partidário

A filiação de Antônia Fontenelle ao PSDB do Rio foi anunciada em 1º de abril, ao lado do presidente estadual da legenda, Luciano Vieira, em meio ao discurso de reconstrução do partido no estado. Desde então, ela passou a rebater a indignação de seguidores com uma pergunta simples e devastadora: que benefício real os devotos da extrema-direita receberam de seus deputados, além de barulho nas redes?

Isis Dantas

05/04/2026 9h30

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A atriz Antônia Fontenelle anunciou nesta quarta-feira (1º) sua filiação ao PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira) do Rio de Janeiro. (Foto: Reprodução/Internet)

Antônia Fontenelle decidiu entrar para a política partidária e descobriu, em tempo recorde, a pior parte da experiência brasileira: o eleitor que trata legenda como religião e político como santo de procissão. Sua filiação ao PSDB não provocou debate sobre propostas, prioridades ou projeto de país. Provocou chilique. E talvez esse seja o retrato mais deprimente do Brasil atual.

Ao reagir às críticas, Antônia fez o que pouca gente com ambição eleitoral tem coragem de fazer: trocou o marketing pela pergunta incômoda. Enquanto uma parte da internet espuma porque ela assinou com o PSDB, ninguém parece especialmente inflamado com saneamento básico, segurança pública ou qualquer outra coisa que preste. O brasileiro médio, ao que tudo indica, terceirizou a própria sobrevivência e agora passa o dia defendendo partido como quem protege marca de energético.

O ponto mais interessante da fala dela não é a troca de sigla. É o desprezo aberto por essa dramaturgia patética da fidelidade ideológica de condomínio. Antônia praticamente diz que poderia estar em qualquer partido e que o foco deveria ser outro: quais são as bandeiras, o que será feito, onde está a entrega, quem vai resolver a vida de quem paga imposto e coleciona decepção. É um raciocínio quase ofensivo de tão racional.

A estocada final vem quando ela mira a extrema-direita e faz a pergunta que seus órfãos digitais odeiam ouvir. O que esses deputados fizeram, de fato, pela vida de quem os defende com a fúria de um estagiário de guerra cultural? Além de lacrar, gravar vídeo, posar para corte e distribuir valentia cenográfica, muito pouco. E quando ela puxa o PL para a conversa e questiona o que o partido fez pelo próprio Bolsonaro, a fantasia da tropa virtual começa a descascar com uma facilidade quase constrangedora.

No fim, Antônia talvez tenha cometido o pecado mais imperdoável da política brasileira contemporânea. Ela lembrou que partido é meio, não fim. E num país em que tanta gente já desaprendeu a brigar por si mesma, dizer “dane-se a sigla” soa quase como heresia. Ou, pior para os fanáticos, soa como lucidez.

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