Acabei de sair da minha esteticista aqui em Milão e precisei interromper o culto ao meu próprio mega hair para olhar com calma esse movimento da Flying Fish no Lolla. Anna Rita Cerqueira, Fael e Gabriel Rocha foram parar no stand da marca, que montou uma área em formato de piscina, com DJs, ativações imersivas, brindes e aquele cenário pensado para render clique bonito e circular bem no feed. A foto é de festival, claro, mas a operação inteira tem cheiro de lançamento calculadíssimo.
A Flying Fish é uma marca do portfólio da Ambev e chegou ao Brasil como uma cerveja premium saborizada, com toque de limão siciliano, baixo amargor e 4,5% de teor alcoólico. No site oficial da Ambev, o papo é quebrar expectativa. Na prática, a empresa tenta ocupar um espaço entre a cerveja tradicional e a bebida mais leve, fácil de beber, com vocação para festa, calor e público que torce o nariz para amargor excessivo.


O Lollapalooza não entrou nessa história por acaso. A Exame informou que a Ambev escolheu a marca para mirar a geração Z, justamente com uma proposta menos amarga e mais refrescante, e outros relatos sobre a ativação apontam que o festival foi tratado como plataforma estratégica para consolidar a expansão em São Paulo depois de testes e avanço em outras praças. Traduzindo do corporativês para o meu idioma de bar chique, a Flying Fish quer deixar de ser curiosidade de prateleira para virar senha social em evento grande.


E aí entram os convidados. Anna Rita, Fael e Gabriel Rocha ajudam a dar temperatura de cultura pop para uma marca que ainda está se apresentando ao grande público. Ninguém escolhe esse elenco por distração. É gente com boa circulação digital, boa imagem de festival e capacidade de fazer a bebida parecer menos lançamento de indústria e mais descoberta cool do fim de semana. Tô tomando um uísque energético no hotel e olhando isso com carinho profissional, porque tem muita marca querendo atenção no Lolla, mas pouca conseguindo construir personalidade sem parecer panfleto gelado.

