Amores, vamos combinar uma coisa aqui entre nós. A Anitta já deixou de ser só cantora faz tempo. Ela canta, dirige, manda, confere orçamento, aprova campanha, puxa o trio, resolve crise e, se precisar, vira segurança particular do próprio bloco sem pedir ajuda. Em São Luís, bastou sentir cheiro de confusão que ela largou o refrão, ligou o modo xerife e mostrou que, no Carnaval dela, ninguém rouba celular achando que vai sair ileso.
A mulher faz tudo. E se faltar colete à prova de bala, ela resolve no microfone mesmo.
Do alto do trio, Anitta decidiu que o bloco não ia virar território livre para furto. Parou o som, pediu para segurar a galera e começou a narrar o suspeito com precisão cirúrgica, cabelo azul, depois cabelo claro, localização no meio da multidão e aviso claro de que a polícia já estava a caminho.
A cena foi tudo menos improviso descontrolado. Anitta apontava direções, pedia atenção do público e avisava que a música só voltaria depois que a situação estivesse resolvida. O microfone virou holofote e o possível ladrão perdeu o maior aliado do Carnaval, o anonimato. No meio da massa, ser descrito ao vivo não costuma dar certo.
Quem acompanha os passos da cantora reconhece o roteiro. Não é a primeira vez que ela interrompe apresentação para lidar com confusão, pedir calma ou acionar a segurança. Existe um padrão bem definido aí. Ela se coloca como dona da festa, anfitriã que não finge que não viu para manter o refrão bonito. Se a rua esquenta, ela corta o som e resolve.
No Carnaval, onde corpo colado e celular na mão são convite permanente para oportunista, esse tipo de atitude divide opiniões. Tem quem aplauda a firmeza. Tem quem torça o nariz para a exposição pública. Eu observo outra coisa. Anitta entende o poder do microfone e usa sem pudor. Cantora pop, sim. Xerife da própria folia, também.