Eu estava lá. Nem precisava estar, porque esse tipo de cena chega antes no meu radar do que fofoca de camarim. Domingo, último Ensaios da Anitta, multidão em modo carnaval antecipado, glitter voando e, de repente, o show vira plenária do Big Brother Brasil 26. Eu amo quando a vida entrega roteiro pronto.
No meio da apresentação, Anitta resolve brincar com o paredão do dia. Brincar nada, minha gente. Ela olha aquela massa humana, calcula o alcance e solta que ali tinha voto suficiente para salvar o Brasil inteiro, começando por Juliano Floss. Eu ouvi o barulho da internet ligando sozinha.
Aí surge Marina Sena, mineira com cara de quem sabe exatamente o que está fazendo. Ela confirma o mutirão, promete que Juliano não sai e sela o pacto com a plateia. Cena clássica de reality, artista vira líder de torcida e o público vira fã-clube organizado. Se BBB tivesse cartório, isso era registrado ali mesmo.
Juliano, que já vinha embalado pelo carinho do público, ganha empurrão de diva. Posta vídeo, agradece, usa hashtag, acende a chama do Team Floss. Eu chamo isso de batismo pop. Tem participante que passa semanas pedindo VT, tem outros que ganham um empurrão desses e pronto, nasce personagem com trilha sonora.
Quando duas cantoras desse calibre puxam coro, o BBB sente. Voto vira causa, torcida vira missão e o paredão ganha clima de final antecipada. A Globo finge surpresa, o público finge que decide sozinho e eu finjo que isso não é entretenimento em estado puro.
Resumo da ópera, meus amores. Show virou assembleia, microfone virou palanque e Juliano Floss saiu dali com status de protegido do pop nacional. No meu mundo hollywoodiano particular, isso se chama plot twist servido quente, com beat, suor e 40 mil testemunhas.