Eu, Kátia Flávia, amo quando a apuração termina e começa o pós-jogo, que é onde mora a diversão. A Viradouro já estava com o troféu na mão, o povo ainda de ressaca emocional, e eis que Anitta resolveu jogar um holofote no placar e questionar a matemática do samba.
A cantora reagiu ao resultado que deixou a Mocidade Independente de Padre Miguel na parte de baixo da tabela e criticou a nota de enredo. Chamou de sacanagem, disse que achou o desfile da escola o mais bonito do ano e ainda elogiou o samba, com aquele tom de quem viu, gostou e não aceita ver a escola sendo empurrada para o canto da sala.
E aqui entra o detalhe delicioso. Anitta não tentou ser diplomática, nem deu volta. Ela falou como torcedora que paga ingresso emocional, acompanha a avenida e se sente no direito de cobrar coerência do júri. Do ponto de vista de entretenimento, é ouro. Do ponto de vista de bastidor, é gasolina perto de faísca.
Porque Carnaval tem regra, tem quesito, tem nota fria, mas também tem sentimento. E celebridade no Carnaval vive como se estivesse em reality show. A câmera pega, o coração acelera, e a opinião sai antes do filtro. A Mocidade virou o time injustiçado da rodada, e Anitta assumiu o papel de comentarista indignada, do tipo que faz a internet levantar da cadeira.

Agora, o que fica é o efeito dominó. Quando um nome gigante questiona jurado, abre-se a porteira para a torcida, para os comentaristas e para aquele debate eterno sobre critérios, padrão de julgamento e peso real de cada quesito. E o Carnaval, que adora uma polêmica paralela, agradece.
Eu só digo uma coisa. Se a avenida terminou, a novela não terminou. Com Anitta de cabeça quente e Mocidade no alvo da discussão, a apuração ganhou reprise. E eu vou assistir de novo, com alegria e um pouco de veneno.