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Kátia Flávia
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Anitta chama Vitor Berdi ao palco em Campinas o fã que perdeu a perna por câncer vira símbolo de vitória, dança e sobrevivência

Eu vi um palco virar sala de terapia coletiva, com aplauso longo, garganta travada e emoção sem maquiagem.
Anitta chamou Vitor Berdi para dançar em Campinas e o show ganhou densidade de capítulo decisivo.

Kátia Flávia

25/01/2026 10h29

Eu vi um palco virar sala de terapia coletiva, com aplauso longo, garganta travada e emoção sem maquiagem. Anitta chamou Vitor Berdi para dançar em Campinas e o show ganhou densidade de capítulo decisivo.

Eu, cheguei preparada para comentar figurino, coreografia milimetricamente ensaiada e plateia em êxtase no show da Anitta. Bastou ela estender a mão para a vida atravessar o palco sem pedir licença. Em poucos minutos, o espetáculo virou relato humano, desses que desmontam qualquer roteiro pronto.

O nome dele é Vitor Berdi, e faço questão de repetir porque essa história não aceita anonimato. Artista, dançarino, criador de conteúdo, corpo em movimento e cabeça em reconstrução permanente. Vitor perdeu a perna por complicações de um câncer, passou por quimioterapia, internações longas, procedimentos duros e aquela batalha psicológica que não aparece em foto, mas pesa mais do que qualquer cicatriz.

Ele subiu ao palco apoiado em muletas, camiseta larga, sorriso aberto e um microfone que virou confessionário público. Nada ali tinha efeito especial. Era presença real, daquelas que seguram a plateia pelo silêncio antes do aplauso.

No palco com a Dona Anitta,Vitor conta que dançar com Anitta teve impacto direto no psicológico durante a quimioterapia. Fala de força mental, de motivação diária, de como a dança sempre foi o lugar onde ele se salvou quando o corpo falhou. Não tem frase bonita de autoajuda, tem vivência crua, falada com firmeza por quem precisou convencer a própria cabeça a continuar.

Ali, diante de milhares de pessoas, Vitor Berdi declarou que venceu o câncer. A frase caiu pesada, inteira, ocupando o espaço. Não soou como slogan, soou como conquista dita em voz alta, com corpo marcado e olhar presente. O público entendeu na hora que aquele show tinha virado celebração de vida.

Anitta escutou, acolheu, incentivou e dançou junto. Chamou Vitor para dançar de novo e reforçou que ele vai seguir dançando do jeito que for. O gesto foi simples, preciso e poderoso, desses que validam existência sem pena, sem coitadismo, com respeito e escuta.

Fora do palco, a história ganha camada concreta e urgente. Vitor Berdi mantém ativa a vaquinha Prótese do Vitor, criada neste mês de janeiro . O texto da campanha é direto e técnico, sem romantização. Ele explica que é desarticulado do quadril, o que torna a prótese mais complexa, cara e de adaptação longa. A meta é alta porque a realidade exige, e o valor arrecadado até agora cobre apenas uma parte pequena do necessário.

Vaquinha do Vitor: https://www.vakinha.com.br/vaquinha/protese-do-vitor

As imagens da vaquinha mostram o pós-hospital sem filtro emocional. Sorriso largo na cama, força exibida sem teatro, transparência de quem decidiu documentar a própria luta. Não existe drama fabricado ali. Existe dado, explicação, pedido claro e consequência prática.

Amadinhos eu fiquei arrepiada com o Vítor e com a certeza de que vi algo raro. Um show que virou testemunho, uma fã base que virou rede de apoio e uma artista que entendeu que chamar alguém ao palco, às vezes, vale mais do que cantar o maior hit do repertório. Aqui, a dança sustentou um corpo, a música organizou uma cabeça e a exposição abriu caminho para ajuda real.

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