Amores assisti o vídeo aqui da Costa Amalfitana e ficou com a xícara de limoncello suspensa no ar. Urach diz, com uma clareza assustadora, que a Virgínia provavelmente garimpou o seu arquivo de mídias, porque boa parte do que a loira de Goiânia faz hoje ela reconhece como formato que já executou, incluindo aquela aparição de coleirinha em referência ao Vini Júnior, que segundo ela repete algo que já produziu “várias vezes.” A conclusão dela é zen: a vida é copiar e tudo bem.
O que Urach está descrevendo, sem usar esse vocabulário, é o processo clássico de mainstreaming de conteúdo transgressor. Ela abriu o caminho no lodaçal digital, testou os limites, pagou o preço social, e uma produtora mais jovem, mais bem assessorada e sem o peso de um desvio evangélico no currículo chegou depois e monetizou o formato com patrocínio de shampoo e reality show na Globo. A coleirinha do Vini virou manchete bonita. Na versão Urach, virou polêmica sem patrocinador.
E aqui está o ponto que não consegui ignorar: Urach chama a si mesma de subcelebridade com uma tranquilidade que deveria envergonhar muita gente que se leva a sério neste país. A diferença entre as duas, segundo ela mesma, se resume a dois desvios de rota: Virgínia não foi pra igreja e Virgínia ficou rica. Uma frase. Duas variáveis. Autobiografia completa.
Amores acabei de beber o limoncello e anota: autoconhecimento desse calibre, servido com essa leveza, é raro. Que Andressa Urach tenha chegado aqui pelos caminhos que chegou não muda o fato de que ela disse, em trinta segundos de vídeo, o que a maioria das influenciadoras brasileiras não consegue admitir em dez anos de carreira.