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Kátia Flávia
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Ana Thaís Matos critica coleira de Virginia Fonseca com nome de Vini Jr.

Uma opinião da comentarista esportiva no Instagram bastou para transformar uma fantasia em ringue moral, com feminismo de arquibancada e muito glitter voando.

Kátia Flávia

03/02/2026 15h06

Uma opinião da comentarista esportiva no Instagram bastou para transformar uma fantasia em ringue moral, com feminismo de arquibancada e muito glitter voando.

Amores, eu mal tinha terminado de assistir um VT velho da Sapucaí quando o WhatsApp começou a pipocar como final de novela ruim. Abro o link e pronto. Lá estava Ana Thaís Matos, comentarista da Globo, puxando a orelha de Virginia Fonseca e da famosa coleira com o nome de Vini Jr., como se estivesse distribuindo advertência em sala de aula carnavalesca.

Segundo Ana Thaís, a releitura da fantasia de Luma de Oliveira merecia atualização. Em 2026, sugerir ensaio com nome de homem no pescoço seria um desserviço. Virginia poderia ter colocado o próprio nome, afinal construiu tudo sozinha e seguirá sendo Virginia com ou sem namorado. O texto é correto, elegante e bem alinhado com o manual de boas intenções da internet adulta.

Agora deixa eu contar como isso soa do lado de cá da avenida.

O Carnaval nunca pediu autorização para existir. Ele vive de excesso, fetiche visual, símbolos que irritam e imagens que grudam no imaginário coletivo igual chiclete em cabelo recém-escovado. A Sapucaí não é seminário, é palco. E palco gosta de cena grande, gesto claro e objeto que vire meme antes mesmo do desfile começar.

Virginia, que eu carinhosamente apelidei de Barbie do Engajamento, não caiu numa coleira por acidente. Ela escolheu a referência, escolheu o nome, escolheu a mansão como cenário e escolheu o impacto. Empresária que fatura milhões não tropeça em conceito. Ela produz conceito, embala e distribui em alta resolução.

O que me diverte é o esforço coletivo para salvar Virginia dela mesma. Pintam a moça como vítima de um símbolo opressor, enquanto ela opera a própria imagem com a frieza de quem sabe exatamente o que gera clique, discussão e manchete. A coleira vira figurino, o namoro vira narrativa, a crítica vira combustível.

Ana Thaís observa a cena com lente política. A internet reage com lente moral. Virginia enxerga tudo com lente de alcance. Cada uma jogando o seu jogo, sem combinar figurino.

O desconforto geral não nasce da coleira. Ele nasce da dificuldade nacional de aceitar mulheres que misturam poder financeiro, romance exibido e prazer em provocar opinião alheia. Parte do público ainda quer que mulher bem-sucedida venha com comportamento padronizado e afeto controlado.

Enquanto o debate ferve, Virginia segue estampando portais, Ana Thaís vira assunto além do futebol e o Carnaval agradece por mais um capítulo na sua coleção de polêmicas recicláveis. Eu observo tudo do meu camarote emocional, anotando nomes, reações e surtos, porque se tem uma coisa que nunca falha é a capacidade brasileira de transformar fantasia em campo de batalha moral.

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