Amores, eu mal tinha terminado de assistir um VT velho da Sapucaí quando o WhatsApp começou a pipocar como final de novela ruim. Abro o link e pronto. Lá estava Ana Thaís Matos, comentarista da Globo, puxando a orelha de Virginia Fonseca e da famosa coleira com o nome de Vini Jr., como se estivesse distribuindo advertência em sala de aula carnavalesca.
Segundo Ana Thaís, a releitura da fantasia de Luma de Oliveira merecia atualização. Em 2026, sugerir ensaio com nome de homem no pescoço seria um desserviço. Virginia poderia ter colocado o próprio nome, afinal construiu tudo sozinha e seguirá sendo Virginia com ou sem namorado. O texto é correto, elegante e bem alinhado com o manual de boas intenções da internet adulta.
Agora deixa eu contar como isso soa do lado de cá da avenida.
O Carnaval nunca pediu autorização para existir. Ele vive de excesso, fetiche visual, símbolos que irritam e imagens que grudam no imaginário coletivo igual chiclete em cabelo recém-escovado. A Sapucaí não é seminário, é palco. E palco gosta de cena grande, gesto claro e objeto que vire meme antes mesmo do desfile começar.
Virginia, que eu carinhosamente apelidei de Barbie do Engajamento, não caiu numa coleira por acidente. Ela escolheu a referência, escolheu o nome, escolheu a mansão como cenário e escolheu o impacto. Empresária que fatura milhões não tropeça em conceito. Ela produz conceito, embala e distribui em alta resolução.
O que me diverte é o esforço coletivo para salvar Virginia dela mesma. Pintam a moça como vítima de um símbolo opressor, enquanto ela opera a própria imagem com a frieza de quem sabe exatamente o que gera clique, discussão e manchete. A coleira vira figurino, o namoro vira narrativa, a crítica vira combustível.
Ana Thaís observa a cena com lente política. A internet reage com lente moral. Virginia enxerga tudo com lente de alcance. Cada uma jogando o seu jogo, sem combinar figurino.
O desconforto geral não nasce da coleira. Ele nasce da dificuldade nacional de aceitar mulheres que misturam poder financeiro, romance exibido e prazer em provocar opinião alheia. Parte do público ainda quer que mulher bem-sucedida venha com comportamento padronizado e afeto controlado.
Enquanto o debate ferve, Virginia segue estampando portais, Ana Thaís vira assunto além do futebol e o Carnaval agradece por mais um capítulo na sua coleção de polêmicas recicláveis. Eu observo tudo do meu camarote emocional, anotando nomes, reações e surtos, porque se tem uma coisa que nunca falha é a capacidade brasileira de transformar fantasia em campo de batalha moral.