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Kátia Flávia
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Ana Paula Diniz estreia na Rosas de Ouro e transforma ensaio técnico em capítulo místico do Carnaval de SP

Teve brilho, símbolo, discurso e uma estreia que parecia mais ritual de abertura de novela do que simples ensaio no Anhembi.

Kátia Flávia

23/01/2026 12h00

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Para o ensaio técnico, Ana Paula escolheu um look com símbolos alinhados à sua personalidade e ao seu trabalho como mentora. Foto: Divulgação

Eu estava só observando, como boa fofoqueira profissional, quando percebi que aquele ensaio técnico da Rosas de Ouro não era só aquecimento de bateria. Era apresentação oficial de personagem novo no enredo. Ana Paula Diniz, mentora de propósito e dessas que falam olhando no fundo da alma, fez sua estreia como destaque da escola campeã do Carnaval de São Paulo e resolveu chegar já deixando claro que não estava ali só para desfilar.

A cena aconteceu no Sambódromo do Anhembi, durante o primeiro ensaio técnico. Enquanto muita gente ainda discute pluma, brilho e ousadia, Ana Paula entrou com outro discurso. Falou de símbolos, civilizações antigas, comportamento humano e propósito. Eu juro que por alguns minutos achei que tinha entrado numa aula aberta no meio da avenida.

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A estreia como musa da escola marca um novo momento para Ana Paula, que vê o Carnaval como um espaço potente de expressão, identidade e discurso. Foto: Divulgação

Segundo ela, o convite fez sentido de cara. O enredo da Rosas conversa com saberes ancestrais, arquétipos e linguagem simbólica, assuntos que atravessam o trabalho que ela desenvolve fora do Carnaval. E ali já ficou claro que essa estreia vinha com intenção declarada, dessas que gostam de explicar o conceito antes mesmo do samba acabar.

Teve Jung no papo, teve inconsciente coletivo, teve astrologia tratada como linguagem simbólica e teve aquela frase que ecoou mais do que surdo em final de ensaio. Tudo comunica. No Carnaval, segundo Ana Paula, isso aparece em escala máxima, com corpo em movimento, cor, energia coletiva e mensagem circulando no ar.

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O enredo aborda símbolos e civilizações antigas, temas que conversam diretamente com seu trabalho. Foto: Divulgação

O figurino também entrou na conversa. Nada de competir por ousadia ou chamar atenção pelo choque. A proposta foi ocupar a avenida com coerência, símbolos alinhados à própria trajetória e um visual que traduz discurso. Ela mesma fez questão de avisar que não estava ali para disputar quem mostra mais pele, apesar de reconhecer que isso também faz parte da festa.

Teve até frase que virou comentário de arquibancada. Não é só estética ou bum bum na nuca. Estar ali é posicionamento. A ideia, segundo ela, é mostrar que dá para circular por vários espaços, brilhar, se expor e ainda manter clareza sobre quem se é e o que se comunica.

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Ana Paula Diniz no primeiro ensaio técnico da escola no Sambódromo do Anhembi. Foto: Divulgação

Para mim, ficou claro que essa estreia marca uma virada pessoal. Ana Paula enxerga o Carnaval como espaço potente de expressão, identidade e discurso. A avenida vira palco amplificado de quem você é, e ela parece confortável com esse holofote simbólico apontado.

No meio de tanta fantasia, brilho e disputa silenciosa por atenção, Ana Paula Diniz entrou como personagem que prefere explicar o enredo antes de sambar. Gostem ou não, virou assunto. E no Carnaval, minha gente, quem vira assunto já ganhou metade da batalha.

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