Ana Maria Braga revelou que mudou o sobrenome por causa da história do pai e da própria origem italiana, e eu tentando achar a faca certa para cortar a melancia, porque domingo de manhã também tem seus dramas domésticos, quando essa história me pegou de um jeito inesperado. O bolo de laranja já crescia no forno como se soubesse mais da vida do que eu, e Ana apareceu falando de raiz, sangue, Itália e memória de família. Amores, uma letra a mais no sobrenome pode parecer detalhe para quem vive no automático, mas, na vida de uma mulher como Ana Maria, detalhe nenhum vem sem passado, sem coragem e sem uma vontade danada de pertencer.
A apresentadora do “Mais Você” falou sobre a mudança na nova série documental “Aprendi Vivendo”, lançada nas redes sociais. Logo no primeiro episódio, que estreia nesta terça-feira (19), Ana Maria explicou que a alteração aconteceu há cerca de dez anos, depois de descobrir mais detalhes sobre a história do pai.

“Eu queria poder entrar na Itália dizendo que eu sou italiana. Para mim é a raiz da gente”, declarou a apresentadora. A mudança de Maffei para Maffeis pode parecer pequena para quem olha de fora, uma letra a mais, quase um detalhe burocrático. Mas, para Ana Maria, o gesto tem outro peso. É identidade, pertencimento, família, memória. É aquele tipo de decisão que não nasce de vaidade, nasce de uma conversa antiga com o próprio sangue.
A série “Aprendi Vivendo” também vai revisitar momentos duros da trajetória da apresentadora. No segundo episódio, previsto para o dia 26, Ana Maria falará sobre o câncer no reto diagnosticado em 2001, período em que chegou a temer não conseguir voltar à televisão.
“Eu já enfrentei o câncer, chorei sozinha no hospital, pensei que nunca mais ia voltar para a TV e estou aqui viva, recomeçando. Enquanto houver vida, há força para reacender a chama”, afirmou.

E aqui a coluna para de brincar um segundo, porque Ana Maria Braga não é só apresentadora de receita, papagaio de pelúcia e meme de internet. Ana é uma sobrevivente televisionada. O Brasil viu essa mulher adoecer, voltar, cair, levantar, casar, enviuvar, rir de si mesma, errar ao vivo, virar figurinha de WhatsApp e seguir entrando na casa dos outros como se fosse parente teimosa.
É por isso que Ana Maria ainda atravessa gerações. Ela pode aparecer falando de sobrenome italiano, câncer, meme, casamento, ruga ou autoestima, e tudo parece sair do mesmo lugar: uma mulher que apanhou da vida, mas não entregou o controle remoto.
Enquanto muita gente tenta parecer jovem a qualquer custo, Ana Maria escolhe parecer dona de si. E isso, meu amor, dá mais trabalho do que harmonização, filtro e legenda motivacional. Nome se muda no cartório. Presença se constrói na marra.