Ana Maria Braga se emocionou durante o “Mais Você” desta quarta-feira (19) ao ouvir o depoimento de Raquel, participante do quadro “Jogo das Panelas”. A competidora contou parte de sua história como mulher travesti, falou sobre vulnerabilidades sociais, prostituição e a busca por uma vida melhor.
Eu já tinha chegado em casa no Cosme Velho, deixado a bolsa do almoço em cima da poltrona e começado a separar os papéis para uma ligação de Brasília que prometia veneno fino, quando Ana Maria apareceu chorando na minha tela. Aí não teve planilha, fonte nem fofoca política que segurasse. Sentei na ponta da cadeira e fui ouvir.

No programa, Raquel falou da relação com a mãe, das dificuldades enfrentadas ao longo da vida e do caminho que a levou à prostituição. Hoje pós-graduada, ela celebrou a chance de participar do reality culinário da Globo e emocionou a apresentadora.
Ana Maria enxugou as lágrimas e fez um discurso sobre respeito. “Quem está honrado, na verdade, sou eu e minha produção toda, as pessoas que respeitam as pessoas em casa. O ser humano tem que ser respeitado, independentemente de suas escolhas, de suas crenças, de sua cor, de seus pensamentos”, disse.
Eu estava com a caneta na mão para anotar nome de deputado e acabei anotando “Ana Maria entregou humanidade no meio da manhã”. Porque às vezes a televisão erra o ponto, queima pauta, derruba link, mas também acerta em cheio quando deixa alguém contar a própria história sem virar caricatura.
A apresentadora continuou: “Um ser humano que se dá o respeito é um ser humano honesto, trabalhador, seja a profissão que for. Cada um sabe de si mais que ninguém, e a gente tem que respeitar”.
Em seguida, Ana Maria acolheu Raquel no palco. “Você é muito bem-vinda aqui, por mim e por todo mundo aqui. A gente é que agradece por ela estar participando e por mostrar um pedaço da vida que muita gente não conhece”, afirmou.

A frase pegou porque não veio fria. Ana Maria estava visivelmente emocionada, e Raquel também chorou com o momento. A apresentadora ainda destacou a gratidão da participante. “É muito bonito ver a gratidão dela. É muito importante a gente ser grato à vida, e ela é grata o tempo inteiro”, disse.
Eu levantei para atender a ligação de Brasília, mas deixei o vídeo rodando mais um pouco. Tem pauta que chega fazendo barulho, tem pauta que chega dando tapa. Essa chegou lembrando que dignidade não deveria depender de palco, audiência ou permissão de ninguém.