Estava sentada num restaurante do Jardim Botânico, com o almoço recém-servido e o guardanapo ainda no colo, quando o celular vibrou com o comunicado chegando às redações. Li duas vezes, empurrei o prato para o lado e liguei para a redação antes mesmo de provar o primeiro garfo. Existe uma sensação muito específica que é a de descobrir que você ajudou a espalhar uma informação errada sobre a saúde de alguém, e ela tem gosto pior do que qualquer prato frio.
Vamos aos fatos, que é o que importa. Ana Beatriz Nogueira mandou um comunicado à imprensa nesta segunda desmentindo os boatos sobre o estado de saúde dela. A informação de que estava internada é falsa. O que aconteceu foi que, no sábado, dia 25, ela fez exames de rotina na Clínica São Vicente, na Gávea, o tipo de compromisso que milhões de brasileiros cumprem toda semana sem virar manchete. Desde 2009, a atriz convive publicamente com um quadro brando de esclerose múltipla, coisa que ela nunca escondeu de ninguém, e que também nunca a impediu de trabalhar. Nas redes, ela escreveu que está ótima, feliz da vida e ensaiando a peça nova.

E que peça, minha gente. Em 3 de setembro ela estreia no Teatro Poeira uma adaptação de “Boa Noite, Mãe“, da americana Marsha Norman, contracenando com Andréia Horta. Duas atrizes desse calibre dividindo palco num texto desse peso já seria notícia suficiente para ocupar a semana inteira da imprensa cultural do Rio de Janeiro. Guardem a data, porque essa é a informação que merecia ter circulado desde o começo, e é a que eu peço que vocês compartilhem no lugar da outra.
Agora a parte desconfortável, que eu vou encarar porque coluna que só aponta erro dos outros não vale o papel em que é impressa. Nome de atriz consagrada mais palavra internação viaja mais rápido que qualquer desmentido, e a cadeia é sempre a mesma: alguém apura pela metade, alguém replica sem checar, alguém aumenta na terceira versão, e quando a pessoa acorda está sendo velada em vida no grupo da família. A cobertura de saúde de artista no Brasil tem esse vício antigo de tratar hospital como sinônimo de tragédia, quando a esmagadora maioria das idas ao consultório é exatamente o contrário disso, gente cuidando de si e seguindo a vida. Publiquei a versão errada, e a responsabilidade é minha, não do coleguinha que publicou antes.

Então fica registrado com todas as letras: Ana Beatriz Nogueira está ótima, não está internada e está ensaiando. E eu vou fazer a única coisa decente que resta a uma colunista nesta situação, que é comprar ingresso para a estreia e aplaudir de pé. Aliás, Ana, se quiser mandar outro recado, meu telefone continua o mesmo. Prometo checar duas vezes antes de abrir a boca.