Eu entrei no Alma Rio com aquela desconfiança clássica de quem já viu muito camarote prometer mundo e entregar selfie. Bastaram poucos minutos para eu entender que ali o jogo era outro. A pista respirava música de verdade, gente interessada em ouvir, dançar e ficar. Nada de desfile humano atrás de flash perdido.

O clima mudou de patamar quando Zélia Duncan e Gabriel O Pensador surgiram juntos. Não foi entrada ensaiada, não foi pose. Foi encontro. Abraços demorados, conversa boa, aquela energia de quem compartilha história e entende o peso do próprio nome. A pista percebeu. O Carnaval percebeu. Eu, claro, percebi primeiro e anotei mentalmente.

Circulando com naturalidade estavam Alessandra Pirotelli, Álvaro Garnero, Pedro Caldas, Marcelo Fonseca e a turma do Grupo Live. Todo mundo no modo confortável, sem esforço para aparecer, sem aquele ar de evento corporativo fantasiado de folia. Carnaval também é saber onde pisar e ali todo mundo sabia.
A trilha da noite ficou sob comando do projeto The Black Haus, com Bruno Lenzone e Yasmin Vilhena conduzindo a pista com segurança e bom gosto. Nada de confusão sonora, nada de tentar agradar todo mundo ao mesmo tempo. Funcionou porque teve critério, e critério no Carnaval é luxo silencioso, ops, luxo discreto.
Em um dos momentos que mais mexeram comigo, Pretinho da Serrinha entrou em cena e a reação foi imediata. Atenção plena, corpo respondendo, aplauso sincero. O samba foi recebido com respeito e entrega, aquele tipo de resposta que não se fabrica nem se pede. A pista virou uma coisa só, pulsando junto com a avenida.

O espaço ajudou. Três andares generosos, vista privilegiada, open bar bem resolvido e gastronomia assinada pelo Capim Santo, com Morena Leite e SPA. Comer bem sem perder o desfile deveria ser direito constitucional no Carnaval. Ali foi realidade.
O Alma Rio virou ponto de encontro de empresários, artistas e formadores de opinião sem parecer reunião disfarçada. E sim, Marina Ruy Barbosa como embaixadora reforçou o entendimento fino de imagem e conteúdo, sem exagero, sem teatro.
Saí de lá com aquela sensação rara de colunista exigente. O Alma Rio não tentou ser o mais barulhento da Sapucaí. Preferiu ser o mais afinado. No sábado, virou coração. E bateu forte.

















