Alexandra Richter abriu o seu coração contando detalhes sobre a filha adotiva Gabriela, de 22 anos. Em entrevista exclusiva à Revista CARAS, ela revela sobre os desafios de criar sua filha adotiva: “O Brasil é racista”.
“As pessoas estão vendo essa família, essa formação, a pluralidade racial. Assim como a gente pode mostrar uma família com dois pais, duas mães, sem que isso precise ser perguntado. As pessoas têm curiosidade sobre qualquer configuração familiar, mas a gente mostra na obra de uma forma natural, que a dinâmica dessa família é como a de qualquer outra”, avalia.
Gabriela foi adotada pela atriz e seu marido Ronaldo, quando ela tinha apenas três anos de idade. “Óbvio que é uma família rica, não sei se os netos da Brenda sofreram tanto preconceito, mas a gente sabe que o Brasil é racista. Tem pessoas que falam que não são, falam que têm ‘até um amigo’, ‘um parente’ e o racismo já começa aí, e nos olhares”, complementa.
“Quando a Gabi era menor, eu já conversava com ela, porque sou uma mãe branca, loira, de olho azul, com todos os privilégios da branquitude e, ao mesmo tempo, sou aquela mãe leoa buscando os meios de lutar contra o preconceito. A gente tem que aprender, né?”, declara.
“Hoje em dia as pessoas falam ‘Ah, mas tem termo que não pode usar’. Não, não pode. Você não vai falar ‘criado-mudo’, não vai falar ‘denegrir’ ou ‘lista negra’. Aí falam: ‘Mas é difícil porque a gente passou a vida falando assim’. Mas a sociedade muda, a gente aprende tanta coisa ao longo da vida, por que não aprende a tirar do seu vocabulário um termo que vai ofender alguém? Como não se esforçar para ser uma pessoa melhor? É porque não quer. O mundo mudou e a gente tem que mudar junto”, finaliza.