Gente, para tudo. Último dia da minha temporada em Ibiza, uma e meia da tarde, eu numa mesa de chiringuito calculando quanto custou o almoço, e o telefone tocou com fonte de Nova York do outro lado. Assunto: a lista de honrarias do gala mais chique da diáspora brasileira acabou de sair. Empurrei o prato.
A BrazilFoundation anunciou Alessandra Ambrósio como homenageada do New York Gala 2026, o principal evento de captação de recursos da fundação nos Estados Unidos. A festa acontece em 17 de setembro no The Plaza Hotel, em Manhattan, endereço que dispensa apresentação para quem gosta de tapete e de cheque. Ela recebe o Philanthropy Leadership Award, e Daniel Urzedo assume a cadeira de Chair, ou seja, o cargo de quem tem a obrigação de lotar o salão com gente de patrimônio relevante.

Na mesma noite estreia o Cultural & Environmental Legacy Award, entregue pela primeira vez ao Instituto Burle Marx. O instituto foi criado em 2019 e cuida de um acervo com mais de 150 mil itens, entre projetos, desenhos, fotografias, documentos e correspondências que cobrem quase sete décadas da produção de Roberto Burle Marx, que viveu de 1909 a 1994. Paisagismo brasileiro entrando na lista de prêmios de gala em Manhattan é movimento de reposicionamento de marca, e desse tipo eu gosto.

O currículo filantrópico da Alessandra não é de ontem. A parceria com a fundação passa de quinze anos, com eventos beneficentes durante os Jogos Olímpicos do Rio e campanhas internacionais de arrecadação. Em 2024, depois das enchentes históricas no Rio Grande do Sul, o estado onde ela nasceu, criou o Brazilian Soul Fund junto com a BrazilFoundation, que já arrecadou cerca de US$ 340 mil e foi lançado internacionalmente num jantar beneficente durante o Festival de Cannes. Traduzindo para a minha língua: ela transformou tapete vermelho em captação de recursos.

E o Chair da noite não é figurante. Daniel Urzedo entrou nessa história em 2006 e passou quase duas décadas conectando a fundação a doadores e a marcas como Ralph Lauren, Moncler, Alexandre Birman e Chanel, além de apoiar iniciativas como o Ballet Paraisópolis. Sobre a homenageada, ele resume que a trajetória dela é exemplo de “filantropia em ação”. Uma fundação com 26 anos de estrada sabe exatamente o que está fazendo ao juntar modelo global, acervo modernista e vitrine de grife na mesma mesa do Plaza. Em setembro, quem senta ali não vai pelo jantar.