Kátia Flávia esta , dentro de casa, devidamente instalada para sofrer com dignidade diante da televisão, quando Além do Tempo resolveu abrir o capítulo deste sábado, 16 de maio, com Lívia chorando no túmulo do pai. A mocinha, destruída pela dor, ainda percebe a presença de alguém a observando. Pronto. O luto virou suspense, o cemitério virou palco e o coração do noveleiro foi parar no chão da sala.
No capítulo 18, Lívia sofre diante da perda, mas Ariel surge para ajudá-la, como aquele personagem que aparece com jeito de mistério, destino e resposta que a novela ainda não quer entregar. Enquanto isso, Felícia, Alex e Chico selam um pacto de amizade. Cena bonita? Sim. Mas novela de época não entrega ternura de graça. Sempre tem uma promessa escondida, uma lágrima futura ou uma bomba esperando a hora certa.

A turma da armação também não tira folga. Dorotéia se oferece para dar aulas de etiqueta e piano para Felícia, porque em novela, quando alguém aparece oferecendo refinamento demais, o público já sente cheiro de interesse. Zilda, por sua vez, pede que Pedro insinue a Felipe que gostaria de trabalhar como seu criado pessoal. E Pedro, com a tranquilidade de quem acha que mentira não tem vencimento, confirma a Felipe que Lívia está no convento. Tem gente que mente como quem passa café.
Gema decide construir uma casa para Raul e Chico, trazendo aquele respiro de afeto que toda trama precisa antes de empurrar o público de volta para o drama. Mas o capítulo guarda uma sombra pesada: Vitória faz uma visita a um sanatório. E sanatório em novela de época nunca é passeio inocente. É segredo velho, culpa trancada, passado mal resolvido e personagem fingindo controle com a alma fazendo barulho.

O veredito é claro: Lívia segue como mocinha de sofrimento nobre, daquelas que fazem o Brasil querer entrar na tela com um lenço, um advogado e uma vela acesa pela justiça. Pedro, com essa mentira sobre o convento, já acende alerta vermelho no romance com Felipe. E Vitória no sanatório? Aí tem caroço grande nesse angu. Além do Tempo entregou luto, mistério e manipulação no mesmo capítulo. A justiça novelesca que venha logo, porque a paciência do público já está sentada na beira do sofá, de olho arregalado e sede de verdade.