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Kátia Flávia
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Álbum da Copa 2026 tem 980 figurinhas, custa R$ 1.500 e já tem golpe no Pix

O maior e mais caro álbum da história chega com pacotinho a preço recorde e sites falsos prometendo pré-venda exclusiva que não existe. Colecionar virou esporte de alto risco.

Kátia Flávia

01/04/2026 17h00

capa album copa do mundo

A pré-venda do álbum de figurinhas da Copa do Mundo 2026 começou oficialmente nesta quarta-feira. (Foto: Reprodução/Google Imagens)

Aqui em Veneza, com o canal refletindo aquela luz de fim de tarde que parece propaganda de perfume caro, eu recebi a planilha do álbum da Copa 2026 e precisei fechar os olhos por um segundo. Gente, completar o álbum vai custar mais do que minha passagem de trem para Milão.

O álbum oficial da Copa do Mundo de 2026 é o maior da história: 112 páginas, 980 figurinhas, 48 seleções cobrindo Estados Unidos, México e Canadá. O álbum brochura deve sair por volta de R$ 25, as versões capa dura e metalizadas passam dos R$ 70, e o pacotinho com sete cromos chega perto de R$ 7, o maior preço já praticado na série, com salto que supera em muito a inflação acumulada desde a Copa de 2022. Sem contar nenhuma repetida, seriam necessários 196 pacotes para fechar a coleção, o que coloca o gasto mínimo acima de R$ 1.100, e estimativas de especialistas falam em R$ 1.500 ou mais mesmo com trocas ativas.

Enquanto o torcedor faz conta, os golpistas já estão na área: anúncios falsos de pré-venda circulam em redes sociais e grupos de WhatsApp prometendo “kit exclusivo da FIFA” e “versão limitada”, sempre com pagamento via Pix e preço promocional entre R$ 100 e R$ 200, usando fotos e logotipos oficiais para convencer. A fabricante já veio a público desmentir qualquer pré-venda fora dos seus canais verificados.

Nos comentários dos posts sobre o álbum, a reação mais curtida não era de animação, mas de luto financeiro. Adultos nostálgicos fazendo conta de quanto gastaram em 2006 versus quanto vão gastar agora, influenciadores de finanças pessoais entrando na conversa sem ter sido chamados, e pelo menos dois perfis de curadoria de golpes digitais já catalogando os sites falsos com print e tudo.

A leitura que faço é a seguinte: a Panini entendeu que o álbum da Copa deixou de ser produto infantil e virou objeto de desejo adulto com memória afetiva altíssima, e precificou exatamente nesse território. Quem compra não compra figurinha, compra ritual de Copa, e ritual de Copa no Brasil tem elasticidade de preço que nenhuma pesquisa de mercado europeia consegue explicar. O golpista que criou a pré-venda falsa também leu esse mesmo público e chegou antes da bola rolar.

980 figurinhas, R$ 1.500 na conta otimista e Pix esperando na esquina. A Copa de 2026 ainda não começou e o Brasil já está jogando um campeonato paralelo.

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