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Kátia Flávia
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Alaíde Costa será homenageada pelo WME Awards aos 90 anos

Ícone da bossa nova receberá homenagem pelo conjunto da obra na 10ª edição da premiação, em dezembro, em São Paulo

Kátia Flávia

02/10/2026 11h24

Alaíde Costa, aos 90 anos, será a grande homenageada da 10ª edição do WME Awards by Billboard - Crédito: Murilo Alvesso

Alaíde Costa, aos 90 anos, será a grande homenageada da 10ª edição do WME Awards by Billboard – Crédito: Murilo Alvesso

Acabei de almoçar com umas amigas aqui em Sintra e estou naquele momento clássico de mesa portuguesa: ninguém termina de verdade, aparece mais um café, alguém pede outra coisa e o almoço ganha uma sobrevida. Só que eu já estou com o telefone na mão tentando falar com Fátima Pissarra.

Fátima é minha amiga, amiga mesmo, dessas para quem a gente liga sem cerimônia. E hoje eu queria dar os parabéns. Porque o WME Awards by Billboard, do qual ela é sócia, acaba de anunciar Alaíde Costa como a grande homenageada de sua 10ª edição.

E aí, minha gente, não estamos falando de uma homenagem qualquer.

Alaíde chega aos 90 anos sendo celebrada pelo conjunto de uma obra que atravessa mais de seis décadas da música brasileira. A cerimônia está marcada para 15 de dezembro, em São Paulo, com transmissão ao vivo pelo canal da Billboard Brasil no YouTube.

Eu já liguei para Fátima. Não atendeu. Liguei de novo. Também não. Mandei mensagem. Daqui a pouco tento outra vez, porque intimidade também é isso: insistir até a pessoa entender que você não vai desaparecer.

Mas eu queria falar com ela principalmente porque escolher Alaíde para marcar a décima edição diz muito sobre o tamanho que o WME conquistou.

Alaíde Costa não assistiu à história da música brasileira acontecer. Ela estava dentro dela.

Pioneira da bossa nova, foi apresentada por João Gilberto aos jovens compositores que estavam renovando o samba e lançou seu primeiro LP, Gosto de Você, em 1959. Em 1972, tornou-se a única mulher a participar do histórico álbum Clube da Esquina, de Milton Nascimento e Lô Borges.

E a história não ficou congelada numa fotografia em preto e branco.

Em 2020, Alaíde estreou no cinema em Todos os Mortos e recebeu o Kikito de melhor atriz coadjuvante no Festival de Gramado. Em 2022, lançou O Que Meus Calos Dizem Sobre Mim, produzido por Emicida e Marcus Preto, trabalho eleito o melhor lançamento do ano no 30º Prêmio da Música Brasileira. Em 2024 veio E o Tempo Agora Quer Voar. Aos 90, ela continua em atividade e prepara o terceiro trabalho desse projeto.

Fátima resumiu a escolha de uma maneira que explica por que estou aqui, do outro lado do Atlântico, tentando fazê-la atender meu telefone: celebrar Alaíde é reconhecer uma mulher fundamental para a música brasileira e lembrar que muitas mulheres que protagonizaram movimentos decisivos nem sempre receberam, no momento certo, o reconhecimento correspondente.

Claudia Assef e Monique Dardenne, que fundaram o WME, também destacaram o legado de Alaíde e a importância de sua trajetória para as gerações seguintes.

A lista de mulheres já homenageadas pelo prêmio ajuda a dimensionar o palco em que Alaíde chega agora: Rita Lee, Helena Meirelles, Elza Soares, Dona Ivone Lara, Gal Costa, Beth Carvalho, Alcione, Elis Regina, Sandra de Sá, Cássia Eller, Margareth Menezes, Dona Onete, Lia de Itamaracá e Nara Leão estão entre os nomes celebrados ao longo da história do evento.

No ano passado, foi Preta Gil.

Agora é Alaíde Costa.

Noventa anos de vida. Mais de seis décadas de carreira. Uma mulher que ajudou a escrever capítulos fundamentais da música brasileira e continua trabalhando enquanto muita gente insiste em tratar longevidade artística como retrospectiva.

O café aqui em Sintra já esfriou.

E eu vou ligar para Fátima outra vez.

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