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Kátia Flávia
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Akiwell aposta em profissionais 60+ e transforma experiência em cultura e resultados 

Através do “Projeto Terceira Jornada”, Vanessa Moreno, sócia da Akiwell, conta como empresa de bem-estar rompe o estigma do etarismo e mostra como a contratação de profissionais 60+ fortalece desempenho, clima organizacional e conexão com o cliente.

Kátia Flávia

03/04/2026 11h00

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Vanessa Moreno, sócia da Akiwell, afirma que a maturidade é um ativo estratégico para a confiança do cliente.(Foto: Divulgação)

Enquanto grande parte do mercado ainda enxerga a idade como um limite, a Akiwell decidiu tratá-la como ativo estratégico. A empresa, que atua desde dezembro de 2020 no segmento de suplementação, bem-estar e estética, vem colhendo resultados concretos ao apostar na contratação de profissionais acima de 60 anos, decisão que começou de forma orgânica e caminha para se tornar um dos pilares do negócio.  

O Projeto Terceira Jornada foi estruturado por Vanessa Moreno, sócia da companhia, a partir de uma observação simples, mas pouco explorada pelas empresas. “A maior parte dos nossos clientes, principalmente os atendidos pelo call center, é formada por pessoas acima de 50 anos. Então começamos a refletir, ‘por que não trazer para dentro da operação profissionais que falam a mesma linguagem, que têm vivência parecida e que geram identificação real com esse público?’ Foi assim que surgiu o projeto, com o propósito de valorizar a experiência e criar uma comunicação mais humana e eficiente”, relembra.  

Atualmente, este tipo de contratação já faz parte da cultura da empresa e é compreendida não apenas como uma ação social, mas uma estratégia inteligente de negócio.   

Após as primeiras admissões, o impacto foi imediato, especialmente no call center, onde a conexão com o cliente é decisiva para conversão. Ao aproximar perfis semelhantes em idade e vivência, a empresa conseguiu reduzir ruídos na comunicação e aumentar a confiança na relação. 

“Sem dúvida, o call center foi o principal destaque. Foi ali que conseguimos acertar de forma muito clara a comunicação entre os atendentes e o cliente do outro lado da linha. Quando colocamos profissionais com uma vivência próxima à do nosso público, a conversa muda completamente. Existe identificação, linguagem mais alinhada, mais paciência e uma escuta mais verdadeira. Isso gera conexão, confiança e, consequentemente, melhora direta nos resultados”, explica Moreno.  

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Projeto Terceira Jornada integra profissionais acima de 60 anos à operação da empresa, impulsionando desempenho e conexão com clientes. (Foto: Divulgação)

Na prática, a mudança vai além do discurso, com ganhos registrados em indicadores operacionais e, principalmente, no comportamento das equipes. “Além dos resultados comerciais, tivemos ganhos muito claros no ambiente organizacional da empresa. A presença desses profissionais trouxe mais equilíbrio para as equipes, mais respeito nas relações e uma troca de experiências muito rica no dia a dia”, afirma a empresária.  

A complementaridade entre gerações se tornou uma vantagem competitiva de mercado e fortaleceu o time de forma geral. A empresária revela que enquanto os mais jovens trazem agilidade e domínio tecnológico, os profissionais 60+ carregam maturidade, disciplina e inteligência emocional.  

E ao contrário do que se poderia imaginar, a integração entre diferentes gerações exigiu poucos ajustes estruturais. Para Vanessa, o diferencial está menos no processo e mais na cultura. “Na prática, foram feitas pouquíssimas adaptações. Muito se fala que seria necessário mudar toda a estrutura para integrar profissionais 60+, mas a nossa experiência mostrou exatamente o contrário. Mais do que adaptar, nós integramos”, revela.  

Os ajustes ficaram concentrados em treinamentos e tecnologia, com apoio da Academy Akiwell, responsável por preparar os novos colaboradores. Ainda assim, o processo é descrito como uma via de mão dupla. “Enquanto ensinamos processos e ferramentas, eles trazem experiência, sensibilidade e uma forma de se comunicar que gera conexão real com o cliente”, afirma.  

Esse movimento também impacta diretamente a percepção da marca. Para a empresária, o “Projeto Terceira Jornada” coloca em prática uma das maiores missões da Akiwell, que é transformar vidas. Isso passa a ser vivido literalmente dentro da empresa, e não apenas em forma de comunicado para o mercado. “Quando valorizamos profissionais 60+, estamos reforçando, na vida real, o conceito de longevidade ativa. Estamos mostrando que é possível continuar produtivo, relevante e realizado em todas as fases da vida”, explica.  

A experiência de quem voltou ao mercado 

Para quem está na ponta da operação, como Paulo Rodrigues da Silva, de 67 anos, a oportunidade na Akiwell representou mais do que um crachá; foi um reencontro com a própria relevância profissional. Atendente de telemarketing na empresa, Paulo trocou anos de trabalho externo pela dinâmica do escritório, provando que ter facilidade de adaptação não tem idade. 

Ele conta que a reinserção no mercado partiu de uma “necessidade de voltar à ativa”, mas também teve um papel pessoal importante. “Na idade que estou, eu precisava reativar a memória. Não enfrentei dificuldade com relacionamento quando cheguei aqui, porque me adapto rápido às condições impostas. Meu trabalho na Akiwell representa uma nova oportunidade de mostrar que ainda tenho capacidade de trabalhar e contribuir com meu profissionalismo”, revela.  

A convivência entre gerações aconteceu de forma natural e tornou-se um subproduto valioso. Enquanto os nativos digitais mais novos auxiliam os veteranos com as ferramentas de sistema, os profissionais 60+ oferecem inteligência emocional e resiliência. Paulo destaca esse aprendizado mútuo: “Não tive nenhum problema em conviver com pessoas mais novas, aprendo um pouco mais com cada colega de diferentes idades.” 

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Experiência prévia permite integração mais fluida no ambiente corporativo, necessitando apenas ajustes de treinamentos e tecnologia. (Foto: Divulgação)

Quebra de estigmas e expansão 

Para Vanessa Moreno, o maior desafio na contratação de funcionários mais velhos não está dentro da empresa, mas no preconceito estrutural do mercado. “Existe um olhar muito equivocado no mercado, que associa idade à limitação, quando na prática é exatamente o contrário, estamos falando de pessoas com bagagem, disciplina e maturidade emocional”, pontua.  

A empresária defende que o problema não está na capacidade desses profissionais, mas na falta de oportunidade. Afinal, experiência não deve ser vista como um custo, mas um ativo. “Profissionais 60+ possuem capital intelectual acumulado ao longo de anos, que chega pronto para gerar resultado”, ressalta a empresária.  

O sucesso no call center foi o balão de ensaio para voos maiores. O próximo passo da companhia é ampliar o projeto para ocupar cadeiras nas áreas administrativas e em funções estratégicas. “A nossa intenção é expandir cada vez mais esse modelo dentro da Akiwell, levando o Projeto Terceira Jornada para outros departamentos, como áreas administrativas, relacionamento com o cliente e até funções estratégicas onde a experiência faz diferença”, explica a sócia. 

Para empresas que ainda resistem à ideia de contratar profissionais 60+, Vanessa aconselha que deem o primeiro passo, sem medo e sem preconceitos. “Testem. Comecem. Permitam-se olhar para isso de forma prática. Muitas vezes, o profissional que o mercado deixou de priorizar é exatamente aquele que pode trazer estabilidade, comprometimento e resultado para dentro da operação”, finaliza. 

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