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Kátia Flávia
Kátia Flávia

Água Doce fecha 2025 no azul e aposta no delivery

Rede segura o caixa, faz dever de casa e transforma entrega em motor silencioso do próximo ciclo de expansão.

Kátia Flávia

19/02/2026 14h30

Rede segura o caixa, faz dever de casa e transforma entrega em motor silencioso do próximo ciclo de expansão.

Eu li esse comunicado como quem analisa balanço com taça de espumante na mão e planilha aberta no celular. A Água Doce Sabores do Brasil passou por 2025 sem escândalo, sem susto e sem drama público, o que, convenhamos, já é um feito no setor de food service. E saiu do ano com saldo positivo, delivery em alta e discurso afinado de quem resolveu arrumar a casa antes de crescer.

O delivery avançou 10 por cento em relação a 2024 e deixou de ser figurante simpático para virar pilar estratégico da rede. Nada de improviso. Houve ajuste de processos, foco em eficiência operacional, integração com plataformas digitais e escolhas mais racionais no mix de produtos. O resultado aparece na previsibilidade do negócio e num crescimento geral da rede de 4 por cento, em um cenário que não foi exatamente um desfile de facilidades.

Enquanto muita marca se perde em expansão apressada, a Água Doce preferiu investir em governança, suporte ao franqueado e revisão interna. Teve consultoria, reestruturação de processos e aquele movimento pouco glamouroso, porém decisivo, de preparar terreno para crescer sem tropeçar. É o tipo de estratégia que não viraliza, mas sustenta.

A diversificação de formatos entrou como peça-chave desse roteiro. A rede inaugurou operações nos modelos Água Doce Express e Delivery, formatos mais enxutos, com menos necessidade de mão de obra e implantação mais rápida. Tradução direta. Menor complexidade, melhor adaptação ao novo hábito do consumidor e mais controle de margem.

Outro ponto que me chamou atenção foi a marca própria, que respondeu por cerca de 8 por cento do faturamento em 2025, com desempenho positivo no e-commerce. Kits presenteáveis seguem no radar para 2026, mirando datas sazonais e consumo fora do salão. É a marca tentando existir além da mesa posta.

O plano para o próximo capítulo é claro. Crescer cerca de 15 por cento em faturamento e abrir, em média, 15 novas unidades, com foco nos modelos Delivery e Express. Nada de espalhar bandeira sem critério. A lógica é eficiência operacional e escala controlada.

Em janeiro, veio o reposicionamento da marca, desenvolvido pela agência IMMA. O discurso é de modernização sem romper com o DNA construído em mais de três décadas. A Água Doce reforça o conceito de Casa da Família Brasileira, com ambientes acolhedores, comunicação mais próxima e identidade atualizada. Não trocaram a essência. Poliram o palco.

O diretor de franquias, Julio Bertolucci, resume bem o espírito do ano. 2025 foi de estabilidade estratégica, com foco em estrutura, eficiência e adaptação ao novo consumo. A ideia agora é crescer de forma consistente a partir de 2026, sem atropelo e sem promessas infladas.

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