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Kátia Flávia
Kátia Flávia

Agora, Vera Magalhães deixa a TV Cultura

Com elegância, precisão cirúrgica e um espanto que fala baixo, Vera Magalhães transforma uma despedida em documento histórico.

Kátia Flávia

06/01/2026 16h35

Com elegância, precisão cirúrgica e um espanto que fala baixo, Vera Magalhães transforma uma despedida em documento histórico.

Não foi um post emocional. Não foi indireta. Não foi drama. Foi uma carta. Daquelas que não levantam a voz, mas fazem a sala inteira parar.

Ao anunciar que deixará o Roda Viva, Vera Magalhães fez o que sempre fez no jornalismo. Explicou. Contextualizou. Assumiu a própria decisão e deixou claro que ela veio depois de ter sido avisada sobre a mudança de planos da TV Cultura.

O espanto não está no tom. Está no conteúdo. A carta revela que a renovação do contrato estava acertada. Que havia consenso sobre mais um ano de trabalho, uma transição organizada, a celebração dos 40 anos do programa e a cobertura eleitoral. Tudo alinhado. Tudo combinado. Até deixar de estar.

Quando o acordo não se materializou e a renovação passou a ser tratada como dúvida, Vera fez o movimento mais raro na televisão brasileira. Registrou por escrito. Pediu posicionamento. E, diante da quebra de um acordo já selado, escolheu sair.

A despedida é firme sem ser agressiva. Generosa sem ser submissa. E profundamente jornalística.

A carta de despedida de Vera Magalhães

“Venho por meio desta comunicar que, por decisão da TV Cultura, deixo de apresentar o Roda Viva a partir de fevereiro.

Em reunião em 10 de dezembro de 2025, tinha acertado a renovação do meu contrato por mais um ano. Eu mesma alertei que seria importante renovar por apenas um ano e fazer a transição no programa, uma vez que esta seria minha sétima temporada.

Falei do meu desejo de coroar este ciclo virtuoso para o programa com a celebração dos 40 anos e a cobertura eleitoral. Ficou tudo acertado com a direção da emissora neste sentido e fui avisada de que seria chamada em breve para assinar o contrato.

Como isso não aconteceu até o fim do ano e voltaram a sair notas na imprensa colocando a renovação em dúvida, escrevi para a presidente da Fundação Padre Anchieta pedindo um posicionamento.

Fui informada da mudança de planos e convidada a permanecer até abril. Diante da quebra de um acordo já selado presencialmente, optei por me desligar de imediato.

Agradeço a liberdade para praticar jornalismo independente, plural e relevante ao longo de seis temporadas. Desejo sucesso a quem me suceder naquela cadeira.”

O texto não acusa. Não adjetiva. Não dramatiza. Mas deixa tudo muito claro. Houve acordo. Houve recuo. Houve decisão.

Vera sai do Roda Viva sem ruído, mas deixa eco. Um eco elegante, incômodo e impossível de ignorar. Porque quando alguém como ela escolhe sair assim, o silêncio fala mais alto que qualquer editorial.

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