A manhã no Rio de Janeiro ainda nem tinha esquentado direito quando começou a pipocar link sobre o processo trabalhista de Isis Valverde com a ex-funcionária doméstica. Entre um gole de suco de melancia e o caminho para a academia no Leblon, a coluna abriu a entrevista do advogado Ricardo Brajterman à Veja, em que ele rebate o tratamento dado ao caso por parte da imprensa. Para a defesa, algumas matérias estariam apresentando o episódio de forma tendenciosa, como se apenas a versão da ex-cozinheira fosse incontestável. O ponto central da queixa é claro, segundo ele, o processo já foi encerrado há meses e continua sendo noticiado como se estivesse em plena batalha judicial.
No relato do advogado, a ex-funcionária chegou a pedir na Justiça uma indenização de cerca de 385 mil reais, alegando acúmulo de funções e jornada de quase 12 horas por dia com apenas 20 minutos de descanso. Essa primeira investida teria sido arquivada em um momento inicial do Judiciário, o que não costuma aparecer com destaque nas manchetes mais recentes. Em nova etapa, o caso avançou para um acordo trabalhista em valor muito menor, de 30 mil reais, pago em parcelas pela atriz. Brajterman argumenta que, se as acusações fossem plenamente comprovadas, a autora não teria aceitado reduzir o pedido tão drasticamente.

Outro ponto levantado pelo advogado é a forma como a rotina de Isis tem sido descrita nas reportagens. Ele afirma que ficou demonstrado nos autos que a atriz passa longos períodos fora de casa por conta de gravações e compromissos profissionais em outras cidades, o que, na avaliação da defesa, enfraquece a ideia de uma jornada diária tão extensa dentro da residência. Brajterman também contesta a narrativa de que a ex-cozinheira acumulava múltiplas funções, dizendo que isso não foi confirmado pelo processo. Segundo ele, a funcionária teria sido tratada com educação e dentro do que determina a legislação.

Na crítica às matérias recentes, o advogado fala em distorção e parcialidade ao destacar apenas o valor originalmente pedido e as acusações mais graves, sem dar o mesmo peso às contestações da atriz e ao desfecho na Justiça. Ele menciona que se criou a impressão de que Isis ainda responde a um processo milionário, quando, na prática, há um acordo fechado e cumprido em cifra bem inferior. Para Brajterman, esse recorte acaba alimentando uma campanha de cancelamento, calúnia e injúria contra a artista desde o início da semana. O que era um imbróglio trabalhista já resolvido virou, na leitura dele, munição para linchamento público.
Do lado de fora do fórum e dentro dos portais, o caso continua circulando mais como combustível de indignação do que como notícia de processo encerrado, com parte da cobertura apostando em palavras fortes e pouco contexto. Enquanto o debate jurídico se fecha nos autos, o debate digital se retroalimenta de títulos que repetem apenas a versão mais escandalosa da história. E é justamente nesse contraste entre o que já foi decidido na Justiça e o que ainda rende clique que o advogado mira, numa tentativa de enquadrar o noticiário antes que a novela da opinião pública supere o próprio processo.