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Kátia Flávia
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Adriana Araújo expõe trauma na Record e detona pauta absurda

Adriana Araújo hoje da Band , afirmou ao UOL que viveu uma situação traumática na Record durante a pandemia e relatou ter questionado internamente decisões editoriais da emissora. A jornalista disse que, em meio ao colapso de Manaus, foi colocada diante de uma pauta sobre reeducação alimentar de macacos, e aí, meu amor, a bancada virou um campo minado moral.

Kátia Flávia

19/03/2026 11h30

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Adriana Araújo chama emissora de negacionista

Meus fofoqueiros , eu fiquei tão passada que precisei sentar para processar porque essa fala da Adriana Araújo não veio com perfume de bastidor banal, veio com cheiro de cicatriz profissional daquelas que a pessoa carrega no osso. Eu estava no meu camarote mental, taça na mão, quase pausando uma série cara, quando li que ela contou ao UOL como foi traumática sua saída da Record em plena pandemia. E aí o negócio deixou de ser só televisão e passou a ser um capítulo indigesto da nossa tragédia coletiva.

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Adriana contou que saiu aos prantos da bancada

Adriana disse que apresentava o Jornal da Record naquele período e que, com a pandemia avançando e uma sequência de situações graves acontecendo, ela era obrigada a cumprir a linha editorial e seguir ordens, embora questionasse internamente decisões muito sérias. Segundo o relato, houve um episódio marcante em 21 de abril de 2020, no primeiro colapso de Manaus, com aquela devastação humana já escancarada, corpos sem espaço e um país começando a perceber o tamanho do abismo. E foi nesse cenário que ela disse ter sido colocada para sentar na bancada e anunciar uma reportagem sobre reeducação alimentar de macacos. Meu bem, isso aqui é roteiro de série cara escrito por alguém com sadismo corporativo.

Ela contou que saiu aos prantos da bancada naquele dia e que internamente se posicionou, entendendo que ali a página tinha virado. Eu acho essa frase uma das mais fortes de todas, porque não fala só de uma jornalista contrariada, fala de alguém que percebeu, em tempo real, que a própria permanência num lugar tinha começado a cobrar um preço íntimo alto demais. Adriana ainda explicou que evita detalhar muito porque o assunto segue sendo doloroso e porque existe um processo judicial em curso, o que dá ao depoimento um peso ainda maior. Quem já sofreu em ambiente de trabalho reconhece esse tom na hora. Não tem performance, tem memória doída.

E eu vou dizer uma coisa, meus amores, com toda a minha baixaria chique e meu diploma imaginário em psicanálise de camarote. Existe uma diferença brutal entre linha editorial e anestesia moral. Jornalismo pode ter comando, chefe, hierarquia, pauta, pressão, tudo isso, mas chega um ponto em que a consciência da pessoa sentada ali na frente da câmera começa a gritar tão alto que nenhum TP consegue abafar. A fala da Adriana escancara justamente esse instante em que a engrenagem pede obediência e o corpo responde com colapso. Nem roteirista da HBO pisaria tão fundo nessa tragédia com tamanha frieza.

Também tem um detalhe que me chama atenção e que ajuda a entender por que essa entrevista bateu tão forte. Muita gente da imprensa viveu a pandemia nesse lugar meio torto, vendo o horror acontecer na rua e ao mesmo tempo tentando sobreviver dentro de empresas com interesses, filtros, prioridades e silêncios próprios. Adriana só teve coragem de verbalizar com clareza uma dor que muita gente talvez tenha engolido com café frio e cara de profissionalismo. E isso mexe porque devolve humanidade a uma figura que o público muitas vezes viu apenas como apresentadora impecável de bancada.

Eu, sinceramente, olho para essa história e penso que a pauta dos macacos entrou ali como símbolo do absurdo, não como detalhe pitoresco. Ela virou a imagem perfeita de um jornalismo que, naquele momento, parecia tentar desviar os olhos do incêndio enquanto o país desabava no fundo do cenário. Adriana contou o que viveu com contenção, mas a violência do relato já faz o trabalho todo. Tem hora em que a maior bomba de bastidor não é grito, nem barraco, nem exposed de camarim. É uma frase dita baixa por alguém que cansou de carregar o peso sozinha.

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