Tava aqui no hotel em Milão, tomando um uísque energético e encarando o feed com cara de quem não tem nada urgente, quando uma fonte me mandou a notícia com aquele tipo de assunto que para qualquer brasileiro da minha geração. O Acqua, do Beto Carrero World, vai fechar as cortinas no Domingo de Páscoa. Dezoito anos. Dez milhões de pessoas. Um ímã comemorativo com #LastDance e #EuFui como souvenir de adeus.
A última sessão acontece no dia 5 de abril, às 14h, com elenco completo no palco numa performance adaptada para transbordar emoção, que é o eufemismo oficial para “prepare o lenço e avise quem for levar criança”. Mais de 80 profissionais passaram pelo espetáculo ao longo dos anos, muitos formados pelo próprio Instituto Beto Carrero, e boa parte deles vai estar lá nessa despedida. O parque fecha o Acqua para abrir espaço a uma nova fase de atrações, dentro do plano de expansão que celebra os 35 anos da casa em 2026.
O que me chamou atenção no material foi essa linhagem de talentos que o espetáculo ajudou a lançar. Artistas que passaram por lá e foram para produções nacionais e internacionais, com o Acqua como primeiro palco de verdade. Isso não é detalhe de press release, é o tipo de coisa que dá peso ao encerramento além da nostalgia familiar.
A leitura que faço aqui, de longe, com o meu gelo derretendo no copo, é que o Beto Carrero está fazendo essa despedida do jeito certo: com data marcada, homenagem ao elenco, souvenir físico e convocação do público de passaporte anual. Criar ritual em torno do fim de um espetáculo é raro no Brasil, onde a maioria das coisas simplesmente some do cartaz sem aviso. O parque entendeu que memória afetiva também é produto, e estava na hora de embrulhar essa com fita dourada.
Quem foi ao Acqua na infância e tem filho agora tem exatamente uma semana para fechar esse ciclo ao vivo. O parque deu aviso, deu data, deu hashtag. O resto é você com a sua fila no domingo de Páscoa decidindo se a emoção vale a logística.