Confesso que adoro quando uma empresa resolve crescer como quem entra atrasada numa festa e vira o centro da pista. É exatamente isso que a Accor fez nas Américas em 2025. Cresceu com fome, com pressa e com aquele olhar de quem já sabe onde vai sentar na mesa principal.
Os números não são tímidos, nunca são. Receita de 5,6 bilhões de euros, EBITDA na casa de 1,2 bilhão e um RevPAR que não só sorriu como gargalhou. O grupo fechou o ano com quase 6 mil hotéis no mundo e um pipeline que parece lista de convidados de casamento de bilionário, longo e cheio de nomes importantes.
Nas Américas, o espetáculo ficou ainda mais barulhento. São 569 hotéis sob 31 marcas, espalhados como peças bem posicionadas num tabuleiro onde ninguém joga para perder. A divisão Premium, Midscale e Economy foi a estrela da temporada, crescendo dois dígitos e mostrando que luxo é ótimo, mas escala paga a conta e compra o champanhe.
Teve estreia com clima de première. O TRIBE Belo Horizonte Savassi marcou a chegada da marca no Brasil, aquele tipo de lançamento que diz muito mais do que parece. Já em Las Vegas, o Treasure Island virou o maior hotel do portfólio global. Sim, Las Vegas. Quando a Accor decide entrar, entra pela porta principal, com luzes, cassino e quase três mil quartos.
Eu observo tudo isso como quem acompanha um reality corporativo bem roteirizado. Cada contrato novo é uma aliança estratégica. Cada parceria, um casamento por interesse assumido. A união com o Royal Holiday Group trouxe 17 propriedades de uma vez só. Nada discreto, tudo calculado.
O Brasil, claro, segue como crush fixo. Bonito, disputado e cheio de potencial. Além das novas aberturas, vem aí a reabertura do Sofitel Rio de Janeiro Ipanema, prometida para o fim de 2026, com discurso de luxo francês repaginado e aquele ar de “voltei melhor”. Anoto, observo e espero sentada na primeira fila.
No premium, a Accor também resolveu desfilar. Swissôtel na República Dominicana, Handwritten Collection chegando ao Brasil, residências de marca surgindo como extensão natural do poder hoteleiro. Quem manda no quarto agora também quer mandar na chave do apartamento.
E não para por aí. Lifestyle virou território de expansão acelerada. SLS, Rixos, Delano, Faena. Parece lista de convidados de after em Miami, mas é estratégia pura. A Accor entendeu que experiência vende tanto quanto diária e que nome forte vira ativo financeiro.
O recado é simples e nem um pouco sutil. A Accor não está crescendo, está ocupando espaço. E quando uma gigante francesa decide ocupar espaço nas Américas, não sobra muito lugar para quem chegou sem plano, sem fôlego ou sem ambição.