Menu
Kátia Flávia
Kátia Flávia

A terceira temporada de Jujutsu Kaisen não é só melhor. Ela existe porque a anterior quase destruiu tudo

Depois do desastre público e da vergonha técnica da temporada anterior, Jujutsu Kaisen retorna 8 de janeiro na Crunchyroll a partir das 1h (Brasília) com um tom contido, quase pedido de desculpas, mais calculado que muitos produtores de anime teriam coragem de admitir.

Kátia Flávia

08/01/2026 9h50

01104616959500

Jujutsu Kaisen se torna ainda mais brutal na temporada 3. Foto: reprodução/Crunchyroll

Vamos combinar logo, sem colocar purpurina na cara do problema: a terceira temporada de Jujutsu Kaisen não surgiu porque a obra precisava evoluir. Ela nasceu porque a segunda temporada quase quebrou a franquia inteira. Não foi tropeço, foi quase um colapso no palco mundial.

A segunda temporada não foi só criticada. Ela virou case de choque. Episódios com acabamento irregular, animação esticada até romper, animadores iniciando a própria corrida contra o tempo e uma legião de fãs percebendo que, às vezes, o monstro maior do anime não é a maldição na tela, é a maldição da própria produção.

Por isso, quando a Crunchyroll soltou o comunicado: “8 de janeiro, dois episódios de uma vez, estreia a partir das 1h”, isso não foi marketing. Foi controle de danos disfarçado de festa. Quando você entrega dois episódios juntos logo de cara, você não está sinalizando confiança exuberante. Você está dizendo: “Olha, revisamos, reforçamos, respiramos fundo.”

E isso se reflete na série.

jujutsu kaisen novidades terceira temporada filme
Poucos animes recentes causaram tanto impacto em seus fãs quanto Jujutsu Kaisen. Foto: reprodução/Crunchyroll

A terceira temporada não está aqui para fazer pirueta. Ela está aqui para sobreviver. A direção não tenta impressionar com malabarismos inúteis, mas com foco cirúrgico. A animação está firme porque agora existe padrão, existe régua, existe cobrança interna, porque todo mundo viu o que acontece quando esse trem sai dos trilhos.

Itadori não voltou brilhando como herói ardente. Ele voltou parecendo o garoto que viu demais, que carregou demais, que aprendeu que esperança não é luxo num jogo feito de regras cruéis e consequências permanentes.

O Culling Game não é só arco narrativo. É quase um laboratório de controle de qualidade, com regras rígidas, conflitos diretos e menos espaço para aquele grito exagerado típico do shonen. E isso não é frescura criativa. É recalibragem de produção.

E o público sente.

Não é só que a série está melhor tecnicamente. É que ela voltou com menos “olha que legal” e mais “vamos botar ordem nessa bagunça”. Porque ninguém esqueceu o desastre. Ninguém esqueceu a vergonha dos episódios irregulares. E os produtores também não.

Jujutsu Kaisen volta melhor em 8 de janeiro na Crunchyroll — mas não volta soberbo. Volta humilde, mais seguro, como quem aprendeu na marra que a complacência custa caro.

E talvez, só talvez , um essa temporada funcione porque ela não nasceu da ambição desenfreada, mas da necessidade crua de reparar um erro que poderia ter custado tudo.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado