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Kátia Flávia
Kátia Flávia

A Nobreza do Amor vira superprodução da Globo e eu já estou chamando de a novela mais ambiciosa das seis

Eu vi nascer uma novela que mistura coroa, golpe, paixão proibida e logística de guerra, tudo antes do primeiro capítulo ir ao ar

Kátia Flávia

26/01/2026 13h30

institucional

‘A Nobreza do Amor’ começa a gravar em clima de superprodução de época. Foto: divulgação/Globo/Estevam Avellar

Amados, acordei dramática e fui dormir completamente rendida porque A Nobreza do Amor não chegou para brincar de folhetim comportado. Chegou pisando forte, de sandália dourada, capa esvoaçante e trilha imaginária de novela das nove, mesmo sendo das seis. Isso aqui é projeto que se anuncia gritando “me respeita”.

A nova aposta da TV Globo vem com princesa africana perseguida, rei traído, vilão ambicioso e um trabalhador nordestino que entra na história com cara de figurante e sai com alma de protagonista. Se isso fosse um reality show, eu já estaria dizendo que o elenco entrou para jogar e não para fazer amizade.

nobreza do amor
Bastidores com Oruka (Vado), Jendal (Lázaro Ramos), Chinua (Hilton Cobra), rainha Niara (Erika Januza) e rei Cayman II (Welket Bungué). Foto: divulgação/Globo/Estevam Avellar

A história se passa nos anos 1920, mas o climão é totalmente atual. Golpe de Estado, disputa por poder, fuga desesperada, amor atravessando oceanos e uma princesa preta ocupando o centro do palco, coisa que sempre causa frisson e comentário atravessado em grupo de WhatsApp. A tal princesa Alika foge da morte depois que o pai, o rei Cayman II, cai numa armadilha armada pelo primeiro-ministro Jendal, personagem que já nasce com cara de vilão que a gente ama odiar. Sim, Lázaro Ramos estreando no time dos canalhas charmosos, e eu agradeço.

Enquanto isso, no Nordeste fictício de Barro Preto, surge Tonho, um homem que vai descobrindo sua origem, sua força e o peso da cor da própria pele num país que adora fingir surpresa. O romance dos dois é daquele tipo que faz o público suspirar, a sogra reclamar e o Twitter virar tribunal.

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Bastidores das gravações com rainha Niara (Erika Januza) e rei Cayman II (Welket Bungué) Foto: divulgação/Globo/Estevam Avellar

Agora senta que lá vem a parte que eu adoro, bastidor com cheiro de dinheiro, suor e perrengue chique. A produção montou um verdadeiro exército. Mais de 150 pessoas, toneladas de equipamentos, caminhões de figurino, camarim móvel, drone voando como se fosse passarinho de novela bíblica. Teve gravação em dunas, falésias, praias, pedreiras e até fortaleza histórica transformada em reino africano, coisa fina, coisa trabalhada.

O reino de Batanga, todo inspirado em referências reais do continente africano, foi erguido com uma estética que não economiza impacto visual. Já Barro Preto surge como uma cidade isolada, cravada numa falésia, com cara de lugar onde todo mundo se conhece e ninguém esquece o passado de ninguém. Eu já imagino as cenas de julgamento moral na praça e os olhares atravessados no mercado.

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Batidores das gravações na Fortaleza de Santa Cruz da Barra, em Niterói. Foto: divulgação/Globo/Estevam Avellar

A direção artística de Gustavo Fernández aposta num visual que não pede licença. Roupa, cenário, atmosfera, tudo pensado para causar aquele efeito clássico de “meu Deus, isso é novela das seis mesmo?”. É sim, meu bem, e com orgulho.

As gravações começaram no Rio Grande do Norte, passaram por Natal, Mossoró, Tibau do Sul e outras cidades, e agora avançam pelo Rio de Janeiro, com direito a fazenda, canavial e paisagem que rende plano geral de tirar o fôlego. Se novela ganhasse prêmio por logística, essa já estava indicada.

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Jandal (Lázaro Ramos) e Chinua (Hilton Cobra). O vilão observa o casal real. Foto: divulgação/Globo/Estevam Avellar

Eu, como boa fofoqueira de dramaturgia, já aviso. Essa novela não quer só audiência comportada no fim da tarde. Ela quer conversa, debate, torcida, ranço de vilão e fã defendendo casal em comentário de Instagram. E quando uma novela provoca isso antes mesmo da estreia, pode anotar aí no meu caderninho imaginário. Tem coisa grande vindo.

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