Giuliana Morrone está afastada da TV, mas não exatamente parada: aos 59 anos, a jornalista vive em uma casa sustentável em Brasília, projetada para conversar com o Cerrado e preservar o ecossistema ao redor. Eu já estava escolhendo uma mesa para almoçar, ainda com o buquê no braço e a fome tentando negociar com a elegância, quando me veio essa história de uma ex-Globo que trocou estúdio, bancada e Brasília política por arquitetura verde. Amores, tem gente que sai da televisão e vai morar num manifesto com claraboia.
A residência de Giuliana foi planejada a partir de um pequizeiro nativo, mantido no centro do terreno como ponto de inspiração do projeto. A árvore típica do Cerrado virou uma espécie de eixo simbólico da casa, que combina arquitetura contemporânea, conforto e soluções ecológicas.



A ideia do imóvel foi criar um lar que minimizasse impactos ambientais e, ao mesmo tempo, celebrasse a natureza local. O projeto tem grandes aberturas para entrada de luz natural, ventilação cruzada e circulação fluida entre áreas internas e jardim.
A proposta também aparece na escolha dos materiais e da decoração. A casa usa madeira de reflorestamento, fibras orgânicas e uma paleta de cores neutras, pensada para reforçar a sensação de calma. A sala de estar se abre para um deck externo, mantendo a casa em diálogo permanente com o entorno.
Outro ponto importante é o aproveitamento dos recursos naturais. O jardim dos fundos é abastecido por água da chuva coletada e armazenada, reduzindo a dependência de sistemas convencionais de irrigação. A iluminação natural e as claraboias também diminuem a necessidade de luz artificial durante o dia.
A ventilação foi pensada para enfrentar o clima seco de Brasília sem depender tanto de ar-condicionado. A orientação solar e as correntes de vento ajudam a manter os ambientes mais confortáveis, dentro de uma lógica de consumo consciente.
Giuliana Morrone deixou a Globo em 2023, após cerca de 30 anos na emissora. Ao longo da carreira, foi repórter, correspondente em Nova York, participou do “Bom Dia Brasil” e do “Jornal Nacional”, além de se tornar uma das jornalistas mais conhecidas da cobertura política em Brasília.
No idioma das casas que sabem respirar: Giuliana saiu da Globo, mas não saiu de cena. Apenas trocou a luz fria do estúdio pela luz natural do Cerrado. E, convenhamos, minha filha, depois de três décadas cobrindo poder em Brasília, morar numa casa que preserva um pequizeiro no centro do projeto talvez seja a forma mais elegante de dizer: agora quem manda aqui é a natureza.